Wassef, Bolsonaro , PT e o “Mecanismo”. Como os esquemas criminosos continuam a corroer o Brasil Impunidade é desvendada com descoberta de corrupção nas cortes superiores do judiciário

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A operação Lava Jato desvendou na manhã desta quarta-feira (9), como noticiamos aqui, a operação $istema S. As revelações da Lava Jato mostram que o mecanismo da corrupção na política brasileira nunca parou.

O sistema conta com a cobertura do judiciário brasileiro, em especial das cortes superiores de Justiça, como do Superior Tribunal de Justiça STJ, Supremo Tribunal Federal STF e Tribunal de Contas da União TCU.

a Operação E$quema S também investiga o pagamento de R$ 2,6 milhões da Fecomércio para o advogado Frederick Wassef, por meio do escritório Eluf e Santos Sociedade de Advogados.

O MPF explica que a contratação de Eluf se deu a pedido do publicitário Marcelo Cazzo, “não tendo o trabalho realizado justificado o valor de contratação”. Em sua delação, Orlando Diniz dá mais detalhes dessa relação.

Diz que Marcelo Cazzo substituiu o advogado do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, já condenado por ocultação de bens, Cristiano Zanin no comando do esquema e que a advogada Luiza Eluf, com quem encontrou uma única vez em 2016, foi indicada ao publicitário por “Ivan Guimarães, dono da empresa Corseque Security, com quem a Fecomércio também mantinha contrato”.

Wassef é o responsável por “esconder” Fabrício Queiroz, que depositou R$89 mil na conta da esposa do atual presidente, Jair Bolsonaro. Wassef também é investigado em contratos milionários com a JBS e da empresa de sua ex-esposa, Cristina Boner em contratos milionários com o atual governo e com o governo do PT.

As cortes superiores de Justiça ajudam a manter os criminosos ilesos. Em 27 de setembro do ano passado, o ministro Gilmar Mendes, do STF, deu uma liminar pata suspender investigações em curso no Rio de Janeiro contra o senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente. No fim daquele dia, uma sexta-feira, o advogado Frederick Wassef, foi a Jair Bolsonaro no Palácio da Alvorada, voltando lá sábado e domingo.

Wassef havia requerido a liminar em segredo em 3 de setembro. Alegava que uma outra decisão do Supremo protetora do senador de investigações no caso Fabricio Queiroz, ex-funcionário de Flávio quando este era deputado no Rio, estava sendo descumprida. Essa decisão era uma liminar dada em julho pelo presidente do tribunal, Dias Toffoli.

Os acusados poderosos também protegem os ministros. Pouco após seu advogado recorrer ao STF em setembro, Flávio agiu contra a criação, no Senado, de uma CPI da Lava Toga, que mira o presidente do STF, Dias Toffoli.

O que explica essa aliança entre a família Bolsonaro, Dias Toffoli e Gilmar Mendes contra o chamado lavajatismo?

O esquema de corrupção desvendado hoje pela Lava Jato, arrastou também para o lamaçal de corrupção generalizada e contínua, o presidente do STJ. A Lava-Jato afirma que o filho do presidente do STJ recebeu R$ 40 milhões em troca de exercer influência em processos na corte.

O juiz Marcelo Bretas, titular da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, aceitou denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal contra advogados envolvidos num suposto esquema de desvio de 151 milhões de reais da Fecomércio-RJ, do SESC e SENAC, que integram o Sistema S do Rio. Entre os 26 réus, estão Cristiano Zanin, defensor do ex-presidente Lula, e Eduardo Martins, filho do ministro Humberto Martins, presidente do Superior Tribunal de Justiça.

Eduardo Martins, que já havia sido citado em três delações premiadas, foi denunciado sob acusação de lavagem de dinheiro, estelionato e exploração de prestígio, em conjunto com outros escritórios de advocacia, que atuam em serviço da corrupção.

No Congresso Nacional, na manhã de hoje, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, conhecido como “Botafogo” nas planilhas de distribuição de dinheiro roubado do contribuinte brasileiro,
afirmou que Toffoli tem “compromisso com o Estado Democrático de Direito” e criticou a imprensa.

Faltou apenas a Botafogo agradecer ao STF, o benefício concedido ao ex-senador Romero Jucá. Jucä foi um dos primeiros a emplacar a ideia de combate aos integrantes das operações que desbaratam as quadrilhas de colarinho branco.

Ontem dia 8, a Segunda Turma do STF retirou da Justiça Federal do Paraná as ações penais abertas contra os ex-senadores Romero Jucá e Valdir Raupp.

Jucá e Raupp viraram réus nas ações em maio deste ano, acusados de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no âmbito da Lava-Jato. Eles são acusados de terem envolvimento em um esquema de corrupção montado na Transpetro, subsidiária da Petrobras.

Deus nos acuda.

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