Tradição aproxima indígenas de vaga nos Jogos Olímpicos Criados com arco e flecha, cinco jovens amazonenses possuem marcas que os aproximam do Rio

0

Driblando a adaptação da vida longe de casa, cinco atletas indígenas do Amazonas estão no caminho de fazer história no esporte local e buscam o sonho dos Jogos Olímpicos. O quinteto e outros três atletas do tiro com arco representarão o Amazonas no Campeonato Brasileiro Adulto da modalidade, entre 28 outubro e 2 de novembro, em Goiânia-GO.

Drean Silva (18), Gustavo Santos (19), Nelson Moraes (15), Jardel Cruz (18) e Graziele Santos (20) treinam com a Federação Amazonense de Tiro com Arco (Fatarco), desde fevereiro de 2014. Naturais das etnias Kambeba e Karapana, os indígenas fazem parte do projeto da Fundação Amazonas Sustentável (FAS). “A intenção era colocar um atleta desses nas Olimpíada e, hoje, vemos isso como uma certa possibilidade”, disse o técnico dos atletas e que também vai competir o Brasileiro, Aníbal Forte.

A possibilidade é de um dos cinco atletas ou até mais somarem pontos nas competições que virão e participarem da seletiva definitiva para os Jogos, em 2016. Na seletiva, serão definidos os representantes do Brasil. Os amazonenses estão próximos disso. No Campeonato Brasileiro de Base do tiro com arco, que ocorreu no último final de semana, no Rio de Janeiro, Nelson perdeu de 6 a 4, na semifinal, para Marcus Vinícius D’Almeida, considerado fenômeno do tiro com arco e ganhador da prata na Olimpíada da Juventude. “Isso mostra que o nível técnico e psicológico do Nelson está muito bom”, disse Forte.

Já Drean esteve perto de participar dos Jogos Pan-Americanos, em Toronto, no Canadá. Neste ano, o atleta participou de uma seletiva para a competição e ficou em terceiro lugar, onde havia apenas duas vagas.

Nelson, Drean e Gustavo são vistos pela Confederação Brasileira de Tiro com Arco (Cbtarco) como potenciais e, por isso, passaram alguns meses no Centro de Treinamento da Seleção Brasileira da modalidade, em Maricá-RJ, recebendo orientações do então técnico da Seleção, o italiano Renzo Ruele.109471_697x437_crop_5622c92416944“Melhorei muito minha técnica com o Renzo. Foi muito bom o tempo que treinei lá”, disse Nelson. Já Drean espera pôr os ensinamentos em prática e ter um bom desempenho na próxima competição. “Temos bastante chance e esperamos fazer um bom Brasileiro. Espero atirar bem e somar pontos para a Olimpíada, que é o sonho de todo atleta”, contou.

A força física dos cinco jovens é o que mais impressiona Aníbal, que viu um avanço rápido. “Quando eles chegaram aqui, eu os deixei dando tiros e, quando me toquei, já tinha passado duas horas, e eles estavam lá, no sol, atirando, como se não estivessem fazendo nada. Eles têm uma força muito maior que os meninos da idade deles da cidade. Isso é reflexo da forma como eles viviam e brincavam”, afirmou Forte, referindo-se à tradição indígena de uso do arco e flecha. Os cinco jovens treinam cerca de sete horas por dia e dão 400 tiros diários.

Mais esperança

Outros dois atletas também estão próximo da Olimpíada. Francisco Cordeiro, 25, treina há seis meses em Maricá, com a Seleção Brasileira Paralímpica do Tiro Com Arco, e deve ser um dos convocados. Francisco, que é carioca, mas compete pelo Amazonas, participou dos Jogos Paralímpicos do Canadá, neste ano. A outra esperança do Amazonas é a coariense Larissa Feitosa (20), que também integra a Seleção Brasileira, em Maricá.

Comentários