STF ataca escancaradamente investigações da Lava-Jato Ministros absolvem Renan e Ciro, soltam Richa e decidem que não se pode abrir processo baseado em delação, deixando a bunda exposta na janela

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Certos de que ninguém pode detê-los, já que até os militares estão apostando nas eleições, os ministros da segunda turma do STF, deitam e rolam nas mazelas do judiciário e escancaram o desprezo pelas leis e pela justiça.

Enquanto a PGR recorre da decisão de Gilmar Mendes, que soltou Beto Richa na madrugada de sábado (15), depois deste, ter sido preso em uma operação que investiga crimes em licitações com o roubo de R$ 3,5 milhões do contribuinte, o STF absolveu Renan Calheiros da acusação de peculato em ação no caso Mônica Veloso, a jornalista que desvendou a bunda exposta do Brasil e delatou o senador, acusado de desviar dinheiro de verba indenizatória.

Segundo o Ministério Público, as fraudes ocorreram quando Renan tentou justificar de onde vinham os recursos para pagar a pensão de uma filha que teve com Veloso fora do casamento.

Calheiros teria recebido dinheiro do lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior, para pagar a pensão da criança.  Na época do estouro, roubar dinheiro público ainda era escândalo, Renan escapou do Conselho de Ética renunciando à Presidência do Senado. Se fosse hoje em dia, os rábulas senatoriais dariam risadas do povo brasileiro.

Ao tentar comprovar que tinha recursos para pagar a pensão da filha, Renan prestou informações falsas ao Senado, segundo a PGR, que o acusou de fraudar um empréstimo de uma locadora de veículos em Maceió (AL) para justificar o dinheiro usado no pagamento da pensão e usar dinheiro da verba indenizatória do Senado para pagar a locadora em contrato falso.

O STF, depois de sentar no caso, que possuía maiores dados comprobatórios dos crimes de Renan, como as notas frias que o senador também apresentou e falsos comprovantes de transporte de gado para provar que tinha renda para pagar a pensão, decidiu que o caso prescreveu. Isso mesmo. Perdeu o prazo de validade pela lentidão do STF. E o próprio STF, sem nenhum pudor, declara que não pode condenar o acusado, porque seus ministros ficaram irresponsavelmente acocorados diante do poder dos criminosos, inertes e sem ação contra os crimes cometidos contra uma nação.

Esta desfaçatez do Supremo nos leva a crer que realmente existe e está em curso a operação abafa com “suruba” proposta por Romero Jucá, outro acusado de diversos crimes, que o STF jamais chegou perto e treme de medo. Mas medo de quê? Medo de que um destes criminosos do colarinho branco deixe escapar algo que coloque os próprios magistrados na linha de frente das investigações de corrupção?  As perguntas ficam sem respostas, pois quem pode e sabe responde-las prefere o sepulcral silêncio diante dos desmandos dos poderosos.

Veja, que á no dia 14, deste mês os ministros do STF rejeitaram a denúncia contra o senador Ciro Nogueira na Lava Jato. Toffoli, Gilmar e Lewandowski não viram elementos suficientes para abrir ação penal contra o Piauiense por ele ter recebido propina de R$ 2 milhões da empreiteira UTC Engenharia em troca de favorecimento em obras públicas, segundo o MPF.

O pedido de propina de Ciro Nogueira foi relatado em colaboração premiada de Ricardo Pessoa.  O dinheiro foi repassado pelo doleiro Alberto Youssef, que gerenciava a contabilidade paralela da empreiteira e se transformou em delator da Lava Jato.

Os ministros se alvoroçaram em dizer que a delação e as provas apresentadas pelos delatores não podem servir de base para a abertura do processo investigativo. Veja bem, isso mesmo, não servem para iniciar a investigação, num claro desrespeito a todos e a tudo. Onde querem parar? No fim da lava jato que já recuperou mais de 14 bilhões de reais, roubados por essa gigantesca quadrilha, dita de políticos de esquerda e de direita, que detém o poder no Brasil.

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