SENTIMENTOS CONSCIENTES, MENTE SÃ.

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Texto: Liu Pereira

Do que eu tenho medo? O que me irrita ou desencadeia a raiva em mim? O que me deixa triste ou alegre? São perguntas que parecem simples, mas costumam ser feitas com raridade. Como resultado, temos consultórios psicológicos cheios de adultos e crianças desconectados de suas emoções e padecendo de transtornos oriundos desse alheamento.

Entrar em contato com o que sentimos – identificando e reconhecendo o sentimento – é premissa para o autoconhecimento e um degrau imprescindível rumo à escalada das mudanças que almejamos em nossas vidas.

A etapa seguinte, e talvez a mais difícil nesse reconhecimento das emoções, é a de aceitar nossos estados de ânimo. Vivemos um tempo de hedonismo, em que somente a alegria parece ter permissão para existir. Sentir raiva, medo ou tristeza “é feio”, “não pode”, “é coisa de gente fraca”, para citar apenas algumas frases que ouvimos e repetimos diariamente – para os outros e para nós mesmos.

Criamos compartimentos e separamos os sentimentos em “bons” e “ruins”. Os “bons” queremos sempre por perto, e sofremos quando eles passam. Dos “ruins” queremos rapidamente nos livrar, e sofremos quando eles insistem em ficar mais um pouco. E vamos nos perdendo no mundo de emoções – agradáveis e difíceis – que fazem parte de todos nós.

Diferente do que comumente se pensa, aceitar os sentimentos não significa se identificar com eles e se revestir da máxima “eu sou assim”. Significa prestar atenção a eles, de maneira consciente e amável. Assim, aprendemos a conhecê-los e a apreciá-los como algo presente em nossas vidas, sem sermos arrastados por eles. Aprendemos que uma emoção é algo que experienciamos num determinado momento, mas não define ou limita quem somos. Aprendemos, sobretudo, a navegar em qualquer emoção que surja. E assim navegamos de maneira mais saudável pela vida.

 

 

 

Liu Pereira, psicóloga clínica de crianças e adultos, idealizadora do Projeto Respirar – Mindfulness para Crianças e instrutora mindfulness infantil, com formação pela AMT (International Academy for Mindful Teaching).

Liu Pereira
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