Rio de Janeiro sofre sem atendimento em hospitais públicos por jogo de empurra política Faltam médicos nas unidades e, enquanto isso, sobram leitos vazios e pacientes sem atendimento.

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Hospitais federais, estaduais e municipais do Rio de Janeiro passam por uma crise sem precedentes. Faltam médicos nas unidades de saúde, sobram leitos vazios e pacientes sem atendimento. O jogo de empurra de responsabilidades entre os governos do município, do estado e federal deixa os cariocas em situação alarmante.

O prefeito Marcelo Crivella não paga os médicos e profissionais de saúde e diz que o governador Wilson Witzel não faz o repasse, o governador do Rio quer denegrir a imagem do presidente Bolsonaro e diz que não tem dinheiro e reclama da União.

O fato é que é pela primeira vez a União, o Estado do Rio e o Município enfrentam uma crise simultânea. Antigamente, o Município estava em crise, mas tinha suporte da União ou Estado, e vice-versa.

Com dois meses de salários atrasados, muitos funcionários do Hospital Municipal Pedro II, na Zona Oeste do Rio, não foram trabalhar nesta segunda-feira (9). Alguns não têm dinheiro nem para a passagem.

Até leitos do CTI do setor de queimados foram esvaziados porque não tem ninguém para atender os pacientes. Quem chega ao hospital procurando atendimento tem que voltar para casa.

Na manhã desta segunda, os trabalhadores saíram do hospital e foram para as ruas. O protesto na frente do Hospital Pedro II foi para exigir pagamento. Já são dois meses sem salário.

O Hospital Federal de Bonsucesso, nem recebe mais pacientes. Eles sabem da precariedade do atendimento e, por isso, nem vão mais à unidade de saúde. A emergência do hospital, que tem capacidade para fazer até 1,2 mil atendimentos por mês.

A direção do hospital informou que só casos considerados gravíssimos são atendidos. O setor de emergência da unidade precisaria de 200 médicos para funcionar plenamente, mas só tem 43.

O maior hospital da Zona Oeste, Albert Schweitzer, em Realengo, também está com atendimento restrito. Apenas metade dos médicos e enfermeiros está trabalhando.

No domingo (8), uma criança de 2 anos morreu no Hospital Albert Schweitzer após aguardar transferência da Unidade de Pronto-Atendimento de Ricardo de Albuquerque durante toda a madrugada.

Um técnico de enfermagem demitido da unidade protestou se acorrentando na manhã desta segunda, para protestar contra o atraso no pagamento de salários e contra a falta de condições de trabalho na Saúde do Rio.

Faltam medicamentos e profissionais de saúde em toda a rede pública, hospitais, coordenadorias regionais e UPAs em todas as regiões da capital.

As pessoas que tentam conseguir socorro não sabem mas a quem recorrer. A crise na saúde do Rio não diferencia modelos de gestão. As falhas são em unidades administradas por OSs, por empresas públicas ou com servidores concursados.

 

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