Praticante de crossfit, paulistana ergue até 125 kg ‘sem perder feminilidade’

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Joyce Rodrigues faz crossfit pelo menos 15 vezes por semana.
Com 52 kg, atleta vai disputar torneio mundial em 2016.

Pernas torneadas, barriga tanquinho e braços musculosos, capazes de levantar todo o peso de seu corpo em uma flexão de ponta cabeça, e de fazer movimentos com até 125 kg de carga, quase três vezes o seu peso corporal. Quem vê Joyce Rodrigues aos 33 anos nem sequer imagina que, quando criança, ela sofria bullying na escola e ouvia dos colegas apelidos maldosos como “gorda, baleia, saco de areia”.

E, no passado, talvez a paulistana nem pensasse que um dia estaria entre as 10 melhores atletas mulheres de crossfit da América Latina e entre as cinco melhores do Brasil. Com a ajuda do crossfit, atividade esportiva que reúne movimentos de levantamento de peso olímpico, ginástica olímpica e condicionamento metabólico, Joyce, de 1,56 metro, pesa hoje 52 kg.

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Joyce Rodrigues faz aquecimento de um exercício chamado power clean com 110kg (Foto: Fábio Tito/G1)

Em 2016, ela participará novamente da maior competição da modalidade, o “CrossFit Games”, em Carson, na Califórnia. Tudo sem abrir mão do charme da beleza
“Não é porque busco performance e resultado nas competições que eu não vou ligar para a estética. Não quero ficar bombadona, nem perder minha feminilidade”, diz Joyce.

Joyce se formou em fisioterapia e em educação física e deu aulas de balé e de musculação. Depois de cansar dos supinos e das cadeiras extensoras, foi se habilitar para dar aulas de crossfit e, a partir de então, não largou mais a atividade.
“Queria fazer algo prático. E acabei me viciando. Mesmo quando eu tiro férias e não posso ir a um box (lugar especializado para aulas do esporte, com aparelhos específicos como barras olímpicas, argolas e cordas, por exemplo), faço exercícios como um double under (salto duplo, que necessita apenas de uma corda para pular) e abdominais”, diz a atleta, se referindo a movimentos funcionais, que prescindem da estrutura que normalmente o esporte demanda.
O dia a dia de competidora não é fácil. Além de dar aulas como personal trainer em seu estúdio na Vila Mariana, na Zona Sul de São Paulo, Joyce treina pelo menos 15 vezes por semana com um coach – como são chamados os treinadores que acompanham o atleta no crossfit.
A rotina da crossfitter, com alimentação regrada e dedicação aos exercícios físicos, é seguido por mais de 14 mil pessoas no Instagram. Na rede social, ela posta foto dos treinos e frases de incentivo e de superação. Frases estas parecidas com as que tem tatuadas no corpo: “O que não me mata, me fortalece”; “Live, Love, Lift” (viver, amar, pegar peso) e “Stay strong” (fique forte).
A dedicação da atleta ao corpo teve repercussão fora do país. Joyce foi a única brasileira a aparecer num ranking das crossfiters mais sexies do mundo em agosto deste ano. A escolha foi feita pelo site Your Sport 1, dos Estados Unidos, país de origem do crossfit.

Alimentação
Para dar conta da enorme quantidade de exercícios que faz semanalmente, é necessária uma alimentação rigorosa. “Por isso, eu mesma faço minhas próprias comidas para conseguir ser regrada e não gastar uma fortuna. Quando viajo, peço sempre uma hospedagem que tenha cozinha justamente para isso”, conta Joyce.

A nutricionista Gabriela Forte, que cuida da dieta da crossfitter, retirou o glúten e a lactose de sua alimentação e orientou que ela abusasse das raízes. Batata, batata doce, inhame, mandioquinha (temperada com canela devido a suas proriedades termogênicas), atum, frango, carne moída, castanha, abacate (com o alto gasto de energia com os treinos, a gordura boa é bem-vinda). Joyce diz que, após a mudança nos hábitos alimentares, sua taxa de gordura foi de 23 para 9%.

Para suprir tudo o que seu organismo necessita, a esportista tem patrocínio de uma farmácia de manipulação, que produz fórmulas pré-treino; de médicos, nutricionistas, e de marcas de suplementos.

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Joyce Rodrigues está entre as 5 melhores atletas brasileiras de crossfit (Foto: Fábio Tito/G1)

A modalidade

Assim como Joyce, muitos alunos e professores trocaram as academias de musculação pelos boxes de crossfit. Ao contrário da musculação tradicional, a modalidade apresenta treinos dinâmicos e com exercícios diferentes a cada dia.

O esporte chegou ao Brasil há cerca de 5 anos, e já existem 489 boxes credenciados -o credenciamento é obrigatório- em todo o país, 89% deles concentrados na região Sudeste, segundo dados da CrossFit.com. A mensalidade custa em torno de R$ 400 nos boxes de São Paulo.

As aulas são com hora marcada, e um coach – ou treinador – precisa estar presente, acompanhando o desenvolvimento na parte técnica e na execução dos movimentos nos chamados WODs (Work out of the day). Nestes treinos, os praticantes fazem o maior número possível de repetições de exercício(s) estipulado(s) para o dia em um espaço curto de tempo também determinado pelo treinador. Este acompanhamento é obrigatório e reduz o risco de lesões.

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Joyce Rodrigues faz uma flexão invertida, o Hand Stand Push Up (Foto: Fábio Tito/G1)

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Joyce Rodrigues faz um muscle up (Foto: Fábio Tito/G1)

Para André Pedrinelli, especialista em medicina do esporte e ortopedista do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas (IOT-HC), tanto na musculação quanto no crossfit, se a carga que o praticante pode suportar é extrapolada, pode ocorrer uma lesão, porém não é todo risco que se materializa em lesão.

“Toda lesão é uma balança entre a pessoa e o esporte que ela pratica. É importante observar que é necessário ter um profissional acompanhando o exercício. É necessária uma avaliação para saber com qual carga você pode trabalhar e respeitar o seu organismo “, diz Pedrinelli.

O especialista afirma ainda, que atualmente, há mais gente vítima de lesões provocadas por corrida do que por crossfit, mas isso porque esta não é ainda uma atividade tão difundida no Brasil. E praticantes regulares de outro esporte têm menos chance de ter lesão. “Quem tem uma memória esportiva alta, tem maior domínio do corpo, portanto os limites de proteção são maiores”, conclui.

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