Os mistérios de um bom vinho Uma entrevista saborosa com a Juíza Internacional de vinhos Amair Heloisa Aazeredo Arneitz

0

Algumas pessoas conseguem identificar aromas inusitados, sabores únicos, que vão dos mais corriqueiros como frutas vermelhas, cítricos, e outros mais apurados até por vezes exóticos, como tostados, minerais, petróleo, giz e por aí vai. Algumas coisas chaves para esta acuidade são atenção ao momento, treino, estudo e vivencia no mundo do vinho.

No caso dos bons vinhos, que tem mais complexidade, essas pessoas conseguem parar o tempo e sentir essas nuances, as alterações, também percebem o esmero com que o produtor trabalhou e as intenções do enólogo que também florescem no vinho. Isso sempre é muito prazeroso e gratificante.  Quem disse que o tempo não para? Quando você está imerso, apreciando um bom vinho, muitas sensações acontecem.

Um pouco de treino, atenção e vontade de conectar com o momento. Que tal quando estiver no supermercado, apreciar os aromas das frutas e assim, despertar a sua memória olfativa?  Sentir o aroma daquele café moído ou na xícara mesmo. Agregar e aguçar os sentidos também é compatível com o prazer de estar com os amigos, familiares e etc. Tudo é compatível, desde que você curta o momento.

Veja a seguir, a entrevista com a Juíza Internacional de vinhos, AMAIR HELOISA AZEREDO ARNEITZ. Nesta entrevista ela compartilha momentos especiais e um pouco da sua vivência e paixão pelo vinho. Brindemos os vinhos e vinhedos e ao mundo do vinho!

Segue a entrevista de Sergio Resende, colaborador especial da BSB Magazine: 

Sergio Resende:  O que é necessário para ser considerada uma Juíza de Vinhos?

Amair: Além de ser uma amante de vinhos, há que ter ética, classe, e bom senso, depois sim, se aperfeiçoar profissionalmente, dando início ao curso de Sommelier’e, para depois se especializar num curso de Juíza Internacional de Vinhos, além de degustar uma variedade de vinhos de Terrois distintos, para distinguir a tipicidade de cada região.

Sergio Resende: como é ser uma Juíza de vinhos, quais eventos mais importantes você participou?

Amair: Ser uma Juíza de Vinhos, é muito gratificante. É uma profissão que requer conhecimento específico, além de muita degustação de vinhos distintos de todas as regiões, com Terrois diversificados do nosso planeta, bem como estar sempre atualizada com as novas tecnologias neste maravilhoso mundo dos vinhos.

Uma Juíza de Vinhos deve avaliar os vinhos em todos os aspectos organolépticos, utilizando técnicas e parâmetros, inclusive considerando a tipicidade de cada País ou Região, em um Juízo absoluto (quando não há denominação, indicação, tipologia, apenas a safra e categoria pertencente), ou relativo (Denominação de Origem, Indicação Geográfica, Tipologia ou outra categoria que defina a casta, produção e outros aspectos, avaliando a qualidade do vinho.
Os eventos mais importantes em nosso País, são:

Sergio Resende: Quais os eventos mais importantes no Brasil

Amair;  1) Avaliação Nacional de Vinhos/Bento Gonçalves/RS; 2) Wine South América – Bento Gonçalves/RS; 3) ViniBraExpo – Rio de Janeiro; 4) Fenachamp- Garibaldi/RS; 5) Fenavinho -Bento Gonçalves/RS; 6) Vinum Brasilis – Brasília-DF; 7) Dia do Vinho- primeiro domingo de junho; 8) Brasil Wine Challenge- Bento Gonçalves/RS; 9) Sparkling Wine Fair – Espumantes- Brasília-DF; 10) Festival do Moscatel – Farroupilha/RS; 11) Rio Wine e Food Festival/RJ; 12) Brinda Brasil-Brasília/DF.

Sergio Resende: O que está achando deste momento em relação aos vinhos brasileiros e perspectivas para o futuro?

 Acho que a produção brasileira de vinhos,  está em fase fortalecimento, e que os espumantes, vinhos brancos e roses estão em alta, principalmente nas regiões mais quentes, bem como no litoral do nordeste e Rio,  onde o espumante está concorrendo com a cerveja nas praias, já nas regiões mais frias o tinto sobressai.

Hoje, cerca de 75% dos brasileiros preferem os vinhos tintos, pois, a vivacidade da cor como o vermelho, violáceo, os aromas das variedades de castas chamam a atenção, além do vinho tinto conter resveratrol, que tem propriedades de diminuir a pressão arterial, bem como rejuvenescer as artérias. Outro fator importante é que neste momento crucial que estamos do Covit, onde a maioria das pessoas estão dentro de casa, o consumo de vinhos brasileiros, teve uma boa expressão no aumento de consumo.

 Em relação a perspectiva para o futuro, acho que são bem promissoras, como por exemplo: a sustentabilidade e conservação de Terrois, para preservação das castas que estão climatizadas na Região, inovação tecnológica de novas formas de embalagens alternativas de vinhos, aumento expressivo no enoturismo com oportunidade de visitas às Vinícolas, e incentivo ao consumidor de colher uvas e ter a oportunidade de elaborar seu próprio vinho.      Acho que o vinho deveria ser considerado um alimento, como é por exemplo na Itália!

Sergio Resende: Qual a diferença entre vinhos caros e baratos? 

  É interessante saber que um vinho que passa por uma colheita manual, produção controlada por gemas em cada vinha, produção de poucas garrafas e numeradas a cada safra, vinhos de safras especiais, passagens por barricas de primeiro uso por tempo longo, custos no acabamento com rótulo e contra rótulo personalizado, rolhas de cortiça, marcas com alto marketing, impostos, com certeza será um vinho mais caro; Já um vinho que tem passagens por barricas de segundo ou terceiro uso por menos tempo, colheita mecânica, lançado no mesmo ano da colheita, produção em grande escala, sem preocupação com a quantidade de cachos de uvas por vinhas, rolha de vidro, rolha de rosca “ screw cap “, certamente será um vinho mais acessível.

É importante ter conhecimento que existem vinhos de ótimo custo benefício de todos os tipos, estilos, regionalizamos, e nacionalidades, independentemente de serem brancos, rosados ou tintos; com espécies diferentes ou, ainda com variedades da mesma espécie, caros ou baratos, o que vai definir será a sua preferência, estilo e gosto!

Comentários