O amor não mata em uma Brasília de Clarice

DF teve uma vítima de feminicídio por semana no janeiro passado

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Foto Alan Marques

O carnaval está chegando e a preocupação com a violência contra a mulher tende a aumentar em um DF já muito violento: a cidade teve uma vítima de feminicídio em cada semana do janeiro passado.

Mais grave, em 2018, segundo a Secretaria de Segurança Pública, 29 mulheres foram mortas por assassinos que se passavam por “companheiros” (43%), pais (4%), filhos (3%) e inquilinos da vítima (3%).

No ano passado, duas em cada dez mulheres mortas tinha entre 25 e 30 anos, mais da metade dos assassinos morava com a vítima e a relação de abuso era conhecida por familiares e vizinhos. Sendo que 82% dos casos de feminicídio se deram dentro de casa.

Uma das caras novas na CLDF, a deputada distrital Júlia Lucy aponta que uma das maneiras de combater esse tipo violência é capacitar a mulher e ensinar para as pessoas que mães, irmãs, vizinhas e companheiras têm e devem ocupar espaço na sociedade.

A deputada está à frente do movimento 10 Medidas que Mudam o Jogo, que objetiva a criação do “Observatório digital da Mulher” para concentrar dados sobre a violência, para dar mais visibilidade a causa e facilitar a construção de políticas públicas.

É importante ver movimentos como o 10 Medidas que Mudam o Jogo promover maratona para educar, estimular ao empreendedorismo, propor a inclusão social e pensar na empregabilidade da mulher no DF. Ações como essas podem transformar a realidade de Brasília no poema Mas Há a vida, de Clarice Lispector:

 

Mas há a vida

Que é para ser

Intensamente vivida, há o amor.

Que tem que ser vivido

Até a última gota.

Sem nenhum medo.

Não mata.

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