Novo Porsche 911 Turbo S: feito para decolar A máquina até se sai bem nas ruas da cidade, mas seu habitat natural são mesmo as pistas de corrida, confira!

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O NOVO PORSCHE 911 TURBO S (FOTO: DIVULGAÇÃO)
O NOVO PORSCHE 911 TURBO S (FOTO: DIVULGAÇÃO)

No Aston Martin do 007, um pequeno botão faz o banco do carona ser ejetado. NoPorsche 911 Turbo S, um botão pregado ao volante causa outro tipo de explosão. Ele aciona o modo de resposta esportiva. Nele, o carro desperta todos os seus parâmetros para explodir com todos seus 580 cv e 76,4 kgfm de torque.

A resposta é instantânea. Não repare no espaço que a explicação vai levar. Na vida real, tudo isso pode ser comprimido em décimos de segundo. Aquele cupê que rodava tranquilamente a 120 km/h em sétima marcha vai reduzir de uma vez só para segunda ou terceira, bem na faixa em que o torque total é ampliado pelo overboost, que eleva a pressão máxima e amplia o torque. O espetáculo ganha um toque de pirotecnia pelas explosões abafadas do escapamento e o cupê se torna um borrão branco em meio a um rugido grave. O modo funciona por 20 segundos cronometrados em contagem regressiva no painel, mas se você quiser repetir a dose é só apertar o botão de novo.

O 911 Turbo é daqueles superesportivos que se dão melhor em uma pista de testes. A arrancada até os 100 km/h é cumprida em 2,9 segundos, mas pode ser em menos. Da próxima vez que você encontrar um Corolla na rua, lembre-se que esse Porsche vai aos 200 km/h no mesmo tempo em que o Toyota leva para chegar a 100 km/h: 9,9 segundos. Pensando assim, nem faria muito sentido lançar o superesportivo em Joanesburgo, na África do Sul. Contudo, alguns fãs mais velhos de Fórmula 1 já devem ter matado a charada: é nos arredores da cidade sul-africana que fica o Circuito de Kyalami. Foi justamente ali que Nelson Piquet ganhou seu segundo campeonato mundial em 1983, o primeiro a ser vencido por um carro turbo. Os turbocompressores eram raros ainda, uma moda popularizada no imaginário público pelo primeiro 911 Turbo.

A VISÃO DO INTERIOR DA MÁQUINA (FOTO: DIVULGAÇÃO)
A VISÃO DO INTERIOR DA MÁQUINA (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Quando surgiu, em 1974, o 911 Turbo renovou a vida da gama. A marca precisava homologar o 911 RSR Turbo nas categorias da Federação Internacional de Automobilismo (FIA). Pelas regras, a Porsche teria que produzir pelo menos algumas unidades dos esportivos em versão de rua. O resultado foi um 911 tão diferente que possui até um novo nome código, 930. O 3.0 turbo chegava aos 260 cv e 35 kgfm de torque a 4.000 rpm. Antes disso, a enorme turbina demorava a encher. Depois dessa faixa, o turbo explodia em hiperatividade e destracionava facilmente o eixo traseiro em qualquer uma de suas quatro marchas.

Tudo muito diferente do atual. Ao passear pelas ruas de Joanesburgo, o carro responde com suavidade e não estremece diante dos eventuais buracos. Somente uma troca de motorista prevista nos arredores de Soweto evidencia que o 911 Turbo S foi criado para outro mundo. Se você quiser arrancar em linha reta mais rapidamente, basta acionar o controle de largada e fazer o menor tempo possível. Pode repetir dezenas de vezes seguidas que o Porsche aguenta. A dupla de turbos tem turbinas variáveis e válvula de controle eletrônico. Deixando o “mecaniquês” de lado, isso quer dizer que a pressão máxima não desce nem quando se tira o pé do acelerador, o que garante respostas estúpidas a qualquer momento.

Em algumas situações, o 911 Turbo original era indócil, mas a nova versão conta com vários recursos. A tração nas quatro rodas envia força para qualquer um dos eixos com igual intensidade. E até as rodas traseiras podem ser esterçadas. Em baixas velocidades, elas viram no sentido contrário das dianteiras, para facilitar manobras em menor espaço. Na hora de acelerar forte, as rodas traseiras passam a virar na mesma direção das da frente, recurso para estabilizar o carro mesmo quando você o provoca em guinadas de direção fortes.

DETALHE DO PAINEL DO 911 TURBO S (FOTO: DIVULGAÇÃO)
DETALHE DO PAINEL DO 911 TURBO S (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Há tecnologias de pista como nem aquele BMW de Piquet poderia sonhar.  A começar pelos freios carbono-cerâmicos, comuns hoje em dia na Fórmula 1, mas ainda raridades nas ruas. Frios, eles guincham como se as pastilhas precisassem ser trocadas. Quentes, estancam toda essa violência gratuita em metros. Unir a potência de um carro de corrida ao prazer de dirigir nas ruas é a razão de ser do 911 Turbo S, que pode tanto ser usado no dia a dia quanto correr como um supercarro de fabriação italiana. Seu preço também espelha essa dualidade. Por mais de R$ 1,2 milhão estimado, o cupê custa quase a metade de uma Ferrari ou Lamborghini equivalente, mas sai pelo dobro do 911 Carrera convencional.

Fonte: GQ –  – POR JULIO CABRAL, DE JOANESBURGO

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