Novo diretor da PF investigava Lava Jato

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O novo diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Gustavo Maiurino, era o delegado responsável por conduzir as diligências do inquérito aberto de ofício pelo presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Humberto Martins contra ex-integrantes da operação Lava Jato.

Na semana passada, a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Rosa Weber suspendeu o inquérito e enviou a decisão de mérito para análise da Primeira Turma do tribunal.

Rosa Weber acatou em liminar o pedido do Ministério Público Federal (MPF) que considera as investigações inconstitucionais por ignorar as atribuições do próprio Ministério Público e por serem baseadas em provas ilícitas, fruto de roubo cibernético e provavelmente manipuladas, além de não serem reconhecidas como verdadeiras pelos membros da operação.

A troca no comando da PF foi comunicada onyem (6) pelo novo ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres.

O presidente do STF, Humberto
Martins usou as supostas mensagens hackeadas da Lava Jato e negociadas por estelionatários com a ex-deputada federal Manuella D’Ávila para abrir o inquérito.

Os diálogos atribuídos pelos falsificadores aos procuradores, também seriam sobre as negociações para a delação de Léo Pinheiro, ex-presidente da empreiteira OAS, que acusou o presidente do STJ de receber propina para arquivar um caso contra a empreiteira.

O novo diretor-geral da PF trabalha como assessor especial de Segurança Institucional do Conselho da Justiça Federal (CJF) e atuou até setembro do ano passado como secretário de Segurança do Supremo Tribunal Federal (STF).

Ele trabalhou no governo Geraldo Alckmin (PSDB) em São Paulo como subsecretário de Segurança Pública (2018) e secretário estadual de Esporte, lazer e Juventude (2016/2018).

Maiurino é delegado desde 1998, chefiou a Interpol no Brasil (2009/2010), trabalhou como assessor de Relações Internacionais da Polícia Federal (2008/2009) e chefiou os departamentos de Organização e Métodos da Diretoria de Administração e Logística da PF; Planejamento e Controle; e a delegacia da PF no Chuí (RS).

A troca no comando da Polícia Federal no ano passado gerou uma crise no governo, que resultou na demissão do então ministro da Justiça, Sergio Moro, em abril.

Na ocasião, Moro deixou o cargo argumentando que Bolsonaro havia tentado interferir na PF ao demitir o então diretor-geral da corporação, Mauricio Valeixo, escolhido por Moro. Bolsonaro nega a acusação.

Após demitir Valeixo, Bolsonaro nomeou para o comando da PF Alexandre Ramagem, diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que atuou como segurança do presidente e é amigo da família Bolsonaro.

No entanto, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), barrou a nomeação de Ramagem para o cargo. Na ocasião, Moraes atendeu a um pedido do PDT e entendeu que houve desvio de finalidade na nomeação.

Bolsonaro, à época, disse que a decisão de Moraes havia sido “política” e nomeou Rolando de Souza como novo diretor-geral da PF.

Leia a nota, na íntegra:
A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) e a Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (Fenadepol) desejam ao Delegado Paulo Gustavo Maiurino êxito na condução dos desafios em sua nova função como Diretor-Geral da Polícia Federal.

Quadro experiente da PF, Maiurino iniciou sua trajetória no órgão em 1998 e acumulou experiências que o credenciam para o exercício do cargo de Diretor-Geral da instituição. Sua trajetória interna na condução de investigações importantes e a frente de postos como a chefia da Interpol, bem como em funções no Supremo Tribunal Federal (STF), nas pastas de Segurança Pública no Distrito Federal, São Paulo e no Rio de Janeiro e como Corregedor-Geral do Departamento Penitenciário Nacional, permitem crer que terá as habilidades necessárias para defender os interesses da Polícia Federal junto ao Governo Federal, Congresso Nacional, Tribunais Superiores e demais instituições.

A ADPF e a Fenadepol se colocam à disposição do Diretor-Geral para ajudar no objetivo de proteger e fortalecer a Polícia Federal, objetivo tão caro aos Delegados de Polícia Federal, e desejam que sua gestão deixe também como legado uma efetiva atuação que consolide a valorização da instituição e de seus profissionais, que fazem da PF um órgão de excelência reconhecido por todos.

Paradoxalmente, tais servidores se sentem hoje abandonados pelo Governo Federal, em momento de emergência de saúde pública nacional, diante de reformas constitucionais que injustamente lhes retiram direitos e ameaçam a continuidade da Polícia Federal como órgão forte e capaz de executar suas funções constitucionais.

Por fim, as entidades reconhecem o esforço e dedicação acima da média do Delegado Rolando Alexandre de Souza no comando da Polícia Federal, o parabenizam pelos êxitos alcançados e desejam sucesso nas novas missões.

Edvandir Felix de Paiva, presidente da ADPF

Tania Prado, presidente da Fenadepol

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