Novo acidente com 737 Max 8 aumenta desconfiança sobre modelo da Boeing Avião da Ethiopian Airlines caiu com 157 pessoas a bordo

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Ainda é muito cedo para especular sobre as causas do acidente deste domingo (10) em Adis Abeba com o Boeing 737 Max 8, da Ethiopian Airlines, uma empresa muito bem conceituada na manutenção e segurança de voo. Não há informação de sobreviventes entre as 157 pessoas de 32 nacionalidades a bordo do voo ET302, que ia da capital da Etiópia para Nairobi.
Mas uma das linhas de investigação certamente vai verificar a atuação do controverso sistema de automação do novíssimo modelo da fabricante americana que prometia evitar o estol, ou, a falta de sustentação da aeronave causada por baixa velocidade. Não se pode negar semelhanças do desastre de hoje com outra ocorrência fatal:
Em 29 de outubro do ano passado, um mesmo modelo que fazia o voo 610 da Lion Air caiu na Indonésia 12 minutos após a decolagem, às 6:20 da manhã. Os registros apontaram falha nas informações de velocidade e altitude. E mostraram que o manche central chacoalhou fortemente antes da queda. Os dois sensores de velocidade e altitude mostravam dados distintos aos 2 pilotos, que chegaram a pedir ajuda ao Controle de Tráfego Aéreo. O computador do 737 Max 8 jogou o nariz do avião para baixo em pleno momento de decolagem, o que é caracterizado como falha gravíssima.
Acessei um boletim do FAA, o órgão que regula a aviação dos Estados Unidos, emitido em 7 de novembro último. O documento questiona a eficiência do sensor presente no Max, chamado de “AOA”(sigla em inglês para Ângulo de Ataque). Mais adiante o FAA diz que o dispositivo pode “…levar [o nariz do avião] excessivamente para baixo, [causando] significativa perda de altitude, e possível impacto com o solo. Depois do acidente da Ethiopian, todas as atenções se voltarão para a posição do FAA sobre o 737 Max 8. Uma das ações poderá determinar que todos os modelos permaneçam em solo. No Brasil, a Gol Linhas Aéreas opera 7 modelos MAX e tem mais uma dezena sob encomenda.
Por se tratar de uma aeronave recém-lançada, impossível não relembrar situação semelhante enfrentada pela mesma Boeing após a chegada de seu 787, conhecido como Dreamliner: várias ocorrências de incêndio a bordo numa caixa de baterias foram registradas. Um dos mais tensos se deu num voo operado pela japonesa ANA (All Nippon Airways). Felizmente niguém se feriu. Meses depois constatou-se defeito na fabricação das baterias. Curiosamente, a rota em que se registrou o acidente deste domingo é operada por um Dreamliner, que hoje foi substituído pelo Max.
Caso se comprove nova falha de dispositivo no acidente deste domingo, a Boeing será obrigada a intensificar a correção do sistema e o treinamento dos pilotos. E poderá sofrer prejuízos enormes com eventuais cancelamentos de encomendas para seu novo jato.
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