MICO: Governo anuncia acordo, mas fez com quem não comanda greve Vans e motociclistas aderem ao movimento

0

Os ministros do presidente Michel Temer, Eliseu Padilha (Casa Civil), Carlos Marun (Secretaria de Governo), Eduardo Guardia (Fazenda) e Valter Casimiro (Transportes) “pagaram um Mico federal” ao anunciarem na noite desta quinta-feira (24) um acordo para a suspensão da greve dos caminhoneiros, que há cinco dias paralisou o país e já causou desabastecimento de toda sorte de produtos, inclusive combustíveis que já não estão disponíveis na maioria dos postos de abastecimento. O aeroporto de Brasília, já não tem querosene e cinco vôos foram cancelados, nesta manhã. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) suspendeu a segunda fase do XXV Exame de Ordem, que aconteceria em todo o país neste domingo (27) por causa da greve.

Os caminhões continuam parados nas rodovias brasileiras e nesta sexta-feira (25) conquistaram a adesão dos motoristas de vans. Em Brasília a BR 020 foi fechada pelas vans, em São Paulo, as vans também estão paradas em diversos pontos da capital paulista.  Além dos problemas conhecidos, motoristas já brigam nas filas dos postos. Em Brasília, um motorista atropelou um outro que desceu do veículo para reclamar por conta de o atropelador ter furado a fila. Alguns donos de postos que ainda têm estoques, aumentam o preço que chegou a R$9,99 reais por litro.

Indiferente e sem saber que a greve dos caminhoneiros teve apoio maciço da população brasileira, que exige a diminuição dos impostos que encarecem os combustíveis, o ministro Eliseu Padilha disse que o governo não estudou reduzir a taxação sobre a gasolina e o álcool. “Estamos tratando de óleo diesel. Não tratamos de outro combustível. Por quê? Porque o movimento dos caminhoneiros estava centrado no óleo diesel.” declarou.

Veja as medidas que o governo federal propôs aos caminhoneiros e anunciou como se já houvesse um acordo para o fim da greve:

  • reduzir a zero a alíquota da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), em 2018, sobre o óleo diesel;
  • manter a redução de 10% no valor do óleo diesel a preços na refinaria, já praticados pela Petrobras, nos próximos 30 dias, com compensações financeiras da União à Petrobras;
  • assegurar a periodicidade mínima de 30 dias para eventuais reajustes do preço do óleo diesel na refinaria;
  • reeditar, no dia 1º de junho de 2018, a Tabela de Referência do frete do serviço do transporte remunerado de cargas por conta de terceiro e mantê-la atualizada trimestralmente;
  • promover gestão junto aos estados da federação para implementação da isenção da tarifa de pedágio sobre o eixo suspenso em caminhões vazios;
  • editar medida provisória, em até 15 dias, para autorizar a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) a contratar transporte rodoviário de cargas, dispensando-se procedimento licitatório, para até 30% de sua demanda de frete, para cooperativas ou entidades sindicais da categoria dos transportadores autônomos;
  • não fazer a reoneração da folha de pagamento das empresas do setor de transporte rodoviário de cargas;
  • requerer a extinção das ações judiciais propostas pela União em razão do movimento dos caminhoneiros;
  • informar às autoridades de trânsito sobre a celebração do acordo para instrução nos eventuais processos administrativos instaurados em razão do movimento;
  • manter com as entidades reuniões periódicas para acompanhamento do cumprimento dos termos do acordo, com o próximo encontro em 15 dias;
  • buscar junto à Petrobras oferecer aos transportadores autônomos livre participação nas operações de transporte de cargas como terceirizados das empresas contratadas pela estatal;
  • solicitar à Petrobras que seja observada a resolução da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) em relação à renovação da frota nas contratações de transporte rodoviário de carga.
Comentários