Messer acusa Globo de crimes financeiros Dólares entravam e saiam do país com ajuda de megadoleiro que vai devolver um bilhão de reais para a Lava Jato

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Em delação premiada, na qual promete devolver R$ 1 bilhão causados de prejuízo aos cofres públicos, Dario Messer, mais conhecido como “doleiro dos doleiros”, relatou serviços prestados para a família Marinho, dona da Rede Globo. A delação feita na operação Lava-Jato foi homologada na quarta-feira (12) com o Ministério Público Federal do Rio de Janeiro.

Messer diz ter realizado repasses de dólares em espécie para os Marinho em várias ocasiões. Segundo ele, a entrega dos pacotes de dinheiro acontecia dentro da sede da Rede Globo, no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro.

Os negócios com os Marinho teriam começado por intermédio de Celso Barizon, que seria, segundo o doleiro que está preso, gerente da conta da família no banco Safra de Nova York.

De acordo com o delator, os repasses teriam começado no início dos anos 90, quando Messer tocava sua operação de dólar a partir do Rio de Janeiro.

Segundo a declaração de Messer, os valores em espécie entregues no Brasil seriam compensados pelos Marinho no exterior, por intermédio da conta administrada por Barizon. Os Marinho depositariam para Messer (no exterior também) o valor entregue em dinheiro vivo no Brasil.

Messer afirma que um funcionário de sua equipe entregava de duas a três vezes por mês quantias que oscilavam entre 50 000 e 300 000 dólares.

No depoimento, Messer relata que os destinatários do dinheiro seriam os irmãos João Roberto Marinho e Roberto Irineu, respectivamente, vice-presidente do Grupo Globo e presidente do conselho de administração do Grupo Globo.

Messer se comprometeu a restituir aos cofres públicos 1 bilhão de reais de seu patrimônio. Os recursos estão bloqueados. Ele ainda precisa pagar uma pena de 18 anos de prisão por evasão de divisas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha criminosa.

Na prática, Dario deve cumprir um sexto da pena em regime fechado – ou seja, três anos. Considerando-se que ele foi preso em julho de 2019, restam apenas mais dois para ele. Neste momento, ele cumpre prisão domiciliar por ser grupo de risco da Covid-19, em um confortável apartamento localizado em Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro.

Em nota, a Globo nega as acusações.

De acordo com a força-tarefa da Lava Jato no Rio, o acordo permitirá a coleta de provas para investigações em andamento, tendo já fornecido depoimentos juntados aos autos de processos decorrentes de três investigações sobre esquemas que teve Messer como figura-chave. Entre essas, está as operações Câmbio, Desligo, sobre esquema de lavagem de dinheiro a partir do Uruguai e que movimentou mais de US$ 1,6 bilhão; Marakata, sobre transações de dólar-cabo para lavar dinheiro em contrabando de esmeraldas; e Patrón, referente ao braço no Paraguai da organização de lavagem de dinheiro liderada por Messer.

Segundo a Lava Jato, o acordo prevê que Messer deverá cumprir pena, inicialmente fechado, de até 18 anos e 9 meses de prisão, com progressão de regime. Outra cláusula previu a renúncia, em favor dos cofres públicos, de mais de 99% do seu patrimônio, estimado em cerca de R$ 1 bilhão.

O BSBMAGAZINE aplaude a operação Lava-Jato, que é indispensável para o Brasil.

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