Médico que defende uso de ivermectina em estado grave por covid-19

0

O cirurgião-geral Joaquim Inácio de Melo Júnior, de Goiás, foi internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Anis Rassi, em Goiânia, após defender publicamente o uso do medicamento ivermectina contra a covid-19.

Em uma entrevista concedida por ele, na semana passada, para a TV Serra Dourada, afiliada do SBT, no estado, ele disse que havia sido diagnosticado com a doença havia oito dias, que estava utilizando o remédio, e que o período de quarentena acabaria no domingo (12). Dois dias antes, no entanto, na sexta-feira (10), o quadro de saúde do médico se agravou e ele foi hospitalizado.

Uma campanha nas redes socais iniciada por amigos e familiares do médico cirurgião Joaquim Inácio de Melo Júnior pede a doação de sangue tipo A positivo ou AB. O médico foi diagnosticado com Covid-19 e, quem puder ajudar, pode procurar o Hemolabor, no Setor Aeroporto, em Goiânia, para a doação de plasma. A exigência é ter se curado do novo coronavírus, ter mais de 18 anos e, em caso de mulheres, não ter filhos ou sofrido abortos.

Joaquim chegou a dar entrevista à TV Serra Dourada na última semana e alegou fazer uso de medicamentos, como a ivermectina, como forma de tratamento da Covid-19. Além disso, defendeu o uso do medicamento. Segundo ele, o uso do vermífugo serviria para evitar o agravamento da doença.

Ainda na entrevista, ele alegou que está em quarentena por causa da contaminação e que estava se sentindo bem. Joaquim conta que não chegou a procurar médicos especialistas no início da doença e que se automedicou com a ivermectina. O mesmo medicamento foi prescrito para 100 pacientes, conforme o médico confirmou na entrevista.

Na ocasião, ele alegou que estava no oitavo dia da doença. Porém, o Mais Goiás apurou que, na última sexta-feira (10), ele precisou ser internado e foi transferido para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Apesar disso, a unidade de saúde em que o médico se encontra alegou que não comenta sobre o estado de saúde de pacientes. Os familiares do médico também não quiseram falar sobre o assunto.

Ainda na reportagem, o médico alegou que faz parte de um grupo de médicos que defendem o uso desses medicamentos e chegou a citar a entrega dos mesmos realizados em uma igreja de Aparecida de Goiânia. O Ministério Público Federal (MPF) chegou a ingressar com uma ação civil pública para que os medicamentos se tornassem obrigatório no tratamento precoce dos pacientes, mas foi negada pela Justiça Federal. Vale ressaltar que não há comprovações científicas para a utilização dos medicamentos.

Joaquim atua no Hospital Geral de Goiânia (HGG) há mais de 30 anos e estava afastado das funções da unidade desde março por fazer parte do grupo de risco devido à idade, como informa nota encaminhada pela unidade. O hospital destacou o profissionais como “responsável e compromissado com instituição desempenha a função de Gerente Médico da Clínica Cirúrgica.”

Além disso, a nota destaca que a unidade se solidarizou com a família do profissional e destacou que ele, como médico “possui seu direito individual e opinião sobre tratamentos que ainda não são validados e possuem trabalhos científicos com metodologias e resultados questionáveis.” Veja a nota completa abaixo

NOTA OFICIAL:

O Hospital Estadual Alberto Rassi – HGG informa que o médico Joaquim Inácio de Melo Júnior é medico cirurgião pioneiro da unidade há mais de 30 anos. Médico responsável e compromissado com instituição desempenha a função de Gerente Médico da Clínica Cirúrgica, e, devido à idade e estar no grupo de risco, encontra-se afastado de suas funções desde março de 2020. O HGG não é unidade dedicada ao atendimento a pessoas com COVID-19, conforme decisão da Secretária de Estado da Saúde, e está na retaguarda garantindo acesso ao usuário do SUS nas demais patologias como cirurgia geral, urologia, cirurgia vascular, cardiologia dentre outras. O atual contexto de uma doença nova, grave e desconhecida desperta o interesse de pessoas compromissadas com a saúde a propor opções de tratamento e cura ainda não validados. Joaquim, como médico, possui seu direito individual e opinião sobre tratamentos que ainda não são validados e possuem trabalhos científicos com metodologias e resultados questionáveis. O HGG sempre se pautou, como unidade Certificada ONA 3, pela legitimidade científica de todos os protocolos clínicos implementados. Nesse momento, o HGG se solidariza com a família do médico Joaquim Inácio e espera que a boa medicina garanta sua recuperação.

Assessoria HGG

Com informações do Mais Goiás e UOL

Comentários