Maguila pede ajuda para deixar clínica, vídeo viralizou nas redes sociais Boxeador reclama que está internado contra vontade

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Um vídeo gravado pelo ex-boxeador  José Adilson Rodrigues dos Santos, o Magula, de 60 anos, em que pede  ajuda para sair da clínica terapêutica onde está internado em Itu (SP) repercutiu nas redes sociais, nesta quinta-feira (29).

Maguila foi internado para tratar uma doença causada por sucessivas pancadas na cabeça, caracteristica de lutadores de box e MMA, que recebem diversos socos no crânio, a encefalopatia traumática crônica – ETC . O tratamento da  ETC, uma enfermidade neurodegenerativa e evolutiva que  causa dificuldades motoras e distúrbios de memória é lento requer medicamentos.

No vídeo,  Maguila se queixa da esposa e da clinica, afirmando que está internado contra a sua vontade.

“Tô aqui nessa clínica internado, que a minha mulher me colocou aqui. Eu quero ir embora, mas a clínica não deixa. Estou há um ano e meio aqui. A clínica não quer deixar eu ir embora porque é propaganda para a clínica. Ela não quer deixar eu ir embora. Eu quero uma força de vocês aí, meu povo, para eu ir embora daqui”, diz o vídeo. Assista clicando aqui

Um estudo, publicado no jornal de neurologia Brain, em 2012, pesquisadores da Universidade de Boston, nos Estados Unidos, encontraram sinais de ETC em 68 cérebros (80% dos casos). Desses, 64 eram de atletas com histórico de choques cranianos repetidos. Havia 50 jogadores de futebol americano (33 com passagem pela NFL, a liga profissional dos EUA), 8 boxeadores, 5 jogadores de hóquei no gelo e 1 lutador de wrestling (luta de solo que envolve quedas).

A ETC costuma aparecer em atletas aposentados e causa degeneração de células do cérebro. São quatro níveis de consequências: cognitivas com demência (perda de atenção e memória), motoras (tremores, descoordenação, rigidez) e psiquiátricas (irritabilidade, euforia, agressividade, paranoia). O quadro e a intensidade dos sintomas variam de acordo com a quantidade de traumas e o tempo de carreira. Há casos de depressão e suicídio.

O estudo não determinou o porquê de outros atletas com histórico de choques no crânio não terem desenvolvido a ETC. Pesquisadores como os neurocirurgiões Paulo Louzada, da UFRJ, e Charles André, da Academia Brasileira de Neurologia, concordam que tais atletas têm “probabilidade maior” e podem antecipar quadros de demência- mais comuns na faixa dos 65 anos.

“Tomografia e ressonância magnética não detectam as alterações. É preciso fazer exames clínicos, neurológicos e cognitivos para apontar a probabilidade de o esportista estar com ETC”, diz Renata Areza, neurologista da USP. “A comprovação só costuma ser feita com análise do cérebro doado após a morte”, explica.

 

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