LAVA JATO PRENDE EX-SENADOR EM OPERAÇÃO FORA DA CAIXA Luíz Otávio Campos é ligado a Helder Barbalho governador do Pará e ao senador Jader Barbalho, tendo ficha criminal digna de senadores

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Um desdobramento da operação Lava Jato, prendeu hoje o ex-senador Luiz Otávio Campos ligado ao governador do Pará Helder Barbalho e ao senador Jader Barbalho  paga apurar suposto pagamento de R$ 1,5 milhão, por meio de Caixa 2, para o candidato ao Governo do Pará nas eleições de 2014. A PF suspeita que os pagamentos tenham sido realizados por intermédio do ex-senador.

Agentes cumprem dois mandados de prisão temporária, um em Belém (PA) e o outro em Palmas (TO). Além disso, a ação realiza buscas em  três endereços em Belém, uma em Palmas e duas em Brasília (DF). A operação pediu busca e apreensão em endereços de Helder e Jader Barbalho, mas a justiça eleitoral não concedeu.

As ordens foram expedidas pela 1ª Vara da Justiça Eleitoral em Belém.

Segundo a PF, a investigação teve início a início a partir da colaboração premiada de executivos da Odebrecht que revelaram o pagamento de R$ 1,5 para candidato ao Governo do Estado do Pará por meio de três entregas, de R$ 500 mil cada.

Os pagamentos teriam sido realizados entre setembro e outubro de 2014 e teriam sido intermediados pelo ex-senador citado em delação.

A corporação apontou ainda que há indícios de que ao menos um dos pagamentos foi realizado em endereço ligado a parentes do ex-parlamentar.

O caso era apurado junto ao Supremo Tribunal Federal, mas foi declinado para a primeira instância por causa do entediamento da Corte sobre a competência da Justiça Eleitoral para processar e julgar crimes comuns em conexão com crimes eleitorais.

A ‘Fora da Caixa’ apura crimes de falsidade ideológica eleitoral, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

O nome da operação, segundo a PF, faz referência ao recebimento de recursos eleitorais não contabilizados.

Luiz Otávio ocupou cargos de destaque nos governos de Michel Temer (PMDB) e Dilma Rousseff (PT).

Otávio foi secretário-executivo do Ministério da Integração Nacional, o segundo cargo mais importante na hierarquia da pasta, em parte da interinidade de Temer à frente do Palácio do Planalto.

Em outra operação em novembro de 2019, a Polícia Federal (PF) encontrou um dossiê contra Jader Barbalho  na casa do ex-senador Luiz Otávio  Campos, apontado como operador do líder emedebista paraense.

O material foi encontrado pela PF, onde ele guardava todos os documentos contra Jader, no Lago Sul, em Brasília, durante a Operação Alaska, onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão no início de mês de novembro.

A operação investiga o pagamento de propina pela JBS a políticos do MDB para apoiar a reeleição de Dilma Rousseff, nas eleições de 2014. Nas buscas, a Polícia descobriu 14 volumes de documentos sobre Jader no closet do quarto de Luiz Otávio, incluindo obras que teriam sido superfaturadas.

Outros cinco volumes intitulados “Resumos de processos em andamento – Gestão Jader” que mostra uma relação de investigações quando Jader Barbalho foi ministro da Previdência entre 1988 e 1990, foram encontrados na casa.

Outros três volumes enumeram obras contratadas com valores superfaturados. Soma-se ainda outros seis volumes intitulados “documentos de imprensa” que compila um apanhado de notícia sobre o pai de Helder Barbalho, atual governador do Pará.

Luiz Otávio foi senador do Pará pelo MDB. Cria de Jader Barbalho, foi apontado pelo delator da J&F, Ricardo Saud, como representante de Jader Barbalho para tratar de repasses indevidos ao senador paraense e seus aliados políticos na campanha de 2014.

A PF encontrou uma agenda com senhas, contas bancárias, valores e telefones.

A ficha corrida de Luiz Otavio é digna do senado federal.

Quando, em 1992, o então senador Luiz Otávio Oliveira Campos foi acusado de coordenar esquema que teria desviado de US$ 13 milhões destinado a financiar a construção de 13 balsas de mil toneladas cada – 8 para a Rodomar Ltda, e 5 para a Alfredo Rodrigues Cabral Comércio e Navegação Ltda, empresas de sua propriedade.

Os fundos eram da Agência Especial de Financiamento Industrial (FINAME), uma das linhas de financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

O suposto  esquema fraudulento, que funcionou durante o governo do presidente Fernando Collor de Mello, envolveu funcionários do Banco do Brasil, que autorizaram o repasse do dinheiro público para o Estaleiro da Bacia Amazônica (EBAL), que não construiu nenhuma das 13 balsas, mas que teria recebido porcentagem pela participação no esquema.
Os funcionários do BB, Manoel Imbiriba Neto e José Roberto Lobão da Costa, além de terem autorizado a operação bancária, atestaram “o perfeito estado do bem”, das balsas, que nunca foram construídas, e por isso receberam, junto com representantes da EBAL, comissão pela participação no esquema.

Em 2004, mesmo sob suspeita, Luiz Otávio foi indicado para ocupar uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU).

A OAB foi contra alegando que o nome do senador violava o artigo da Constituição Federal, que exige reputação ilibada e idoneidade moral como requisitos para que um candidato assuma cargo público.

No dia 13/12/2006, a Agência Câmara noticiou que o Plenário da Câmara dos Deputados rejeitou o nome do senador para o TCU.

Em 31/03/2004, Supremo Tribunal Federal (STF) determinou abertura de processo contra Luiz Otávio por prática de crimes contra o sistema financeiro e falsidade ideológica (artigo 299, do Código Penal).

A denúncia de fraude incluía 4 funcionários do Banco do Brasil: Manoel Coriolano Monteiro Imbiriba Neto, José Roberto Lobão da Costa, Ênio Erasmo da Costa Alves e Lauro da Costa Nery Filho; os irmãos Paulo Érico e André Moraes Gueiros, Alfredo Rodrigues Cabral, José Alfredo Heredia e David Jacob Serruya.

Em 2012, a Justiça Federal no Pará condenou o então ex-senador Luiz Otávio Campos a 12 anos de prisão por desvio de recursos públicos, em regime fechado e pagamento de multa.

Em 2013, após apresentar sua defesa, Luiz Otávio foi inocentado e seu processo arquivado, tendo a decisão sido tomada pelo mesmo juiz que o havia condenado e que assim, anulou sua sentença anterior.

 

 

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