Investigado por R$5 milhões em propina diz que reação de juízes contra mudar Constituição é desproporcional

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O líder do governo Bolsonaro na Câmara, Ricardo Barros (PP), recém acusado de receber R$ 5 milhões em propina para intermediar negócios ligados á Companhia Paranaense de Energia disse que as críticas de juízes à sua ideia de mudar a Constituição é desproporcional.

Ele postou em rede social que “Disse em seminário da ABDCONST que, ‘eu, pessoalmente, defendo um plebiscito para uma nova constituinte que escreva muitas vezes a palavra deveres’ . Desproporcional a reação de togados. Um dia pela democracia é o nome do evento. Propus um plebiscito”, postou.

Mais cedo, o líder do governo disse que era preciso uma nova Constituição. Segundo ele, “Os juízes, promotores, fiscais da Receita, agentes do TCU, da CGU, provocam enormes danos com acusações infundadas e nada respondem por isso, nunca respondem por nada”, reclamou o investgado por corrupção.

As principais associações de juízes e procuradores reagiram às declarações do líder do governo que criticou o poder fiscalizador dos órgãos e instituições.

Em nota, a Frente Associativa da Magistratura e do Ministério Público afirmou que a declaração “denota a intenção de cercear a autonomia e a independência dos membros do Judiciário para a fiscalização e a aplicação da lei”.

Assinam a nota os presidentes da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp), Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), Associação do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (AMPDFT), Associação Nacional do Ministério Público Militar (ANMPM) e Associação dos Magistrados do Distrito Federal (Amagis- DF).

Barros também é acusado por Eduardo Lopes de Souza, empreiteiro delator de esquema de corrupção no Paraná. Segundo o empreiteiro disse, negociou o pagamento de uma mesada de R$ 15 mil a Juliano Borghetti, irmão da vice-governadora Cida Borghetti (PP), em troca de cargo na vice-governadoria. Segundo ele, o acordo durou três meses, foi feito na presença de Ricardo Barros, marido da governadora, na sede do Partido Progressista, em Curitiba.

Em 2009, Barros foi condenado a ressarcir os cofres públicos por fraude na venda de maquinário público durante o período em que foi prefeito de Maringá. Em 2016, o deputado apareceu na lista da Odebrecht como beneficiário do esquema de propinas pagas pela empreiteira a políticos.

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