Gracias Diego! O ex-jogador de futebol argentino Diego Armando Maradona morreu nesta quarta-feira (25/11), aos 60 anos.

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Um deus da bola, campeão da Copa do Mundo de 1986 pela Argentina e considerado um dos maiores jogadores da história, teve uma parada cardiorrespiratória, segundo a imprensa local.

Diego Maradona ergue a Copa do Mundo após vitória da Argentina sobre a Alemanha Ocidental em 1986, na Cidade do México — Foto: Carlo Fumagalli/AP

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, decretou luto nacional de três dias.

O corpo de Diego Armando Maradona começou a ser velado por volta das 6h desta quinta-feira (26) na Casa Rosada, a sede do governo da Argentina.

Nas primeiras horas, a entrada do público no local tem sido marcada por pequenos tumultos devido à quantidade de pessoas.

Por volta das 7h30, houve um princípio de confronto entre a polícia e torcedores que foi controlado. Algumas grades que cercam a Casa Rosada chegaram a ser arremessadas por torcedores.

Argentino segura pôster de Diego Maradona e chora em frente à Casa Rosada, sede do governo argentino onde o corpo do ídolo é velado — Foto: Rodrigo Abd/AP

Muitos tentavam entrar ao mesmo tempo no local, mas o fluxo é controlado na porta do palácio presidencial. Por volta das 8h, a situação era mais calma no local.

Dentro do palácio presidencial, torcedores emocionados jogam flores e camisetas sob o caixão, que está fechado e coberto pela bandeira da Argentina e por camisas da seleção e do Boca Juniors.

Torcedores jogam flores e camisas em direção ao caixão de Maradona durante velório na Casa Rosada — Foto: Reprodução/GloboNews

O governo do presidente Alberto Fernández declarou luto oficial de três dias, e estima-se que cerca de 1 milhão de pessoas participem do funeral.

O corpo de Maradona chegou à Casa Rosada por volta de 1h30. Sua mulher, Claudia, e seus filhos estão no local, e a cerimônia foi realizada primeiro com a presença dos familiares.

A imprensa argentina diz que jogadores da seleção argentina de 1986, que ganharam a Copa do México junto com o craque argentino, também estão no palácio presidencial.

O sepultamento será nos Jardins de Bella Vista, na mesma capela onde foi realizado o velório do ex-presidente argentino Néstor Kirchner, que morreu há dez anos.

A chegada do corpo de Diego também teve um princípio de tumulto, mas logo o clima ficou mais sereno na Plaza de Mayo.

Torcedores não paravam de cantar em homenagem ao ídolo, e grande parte dos presentes não usa máscaras de proteção em plena pandemia.

O craque argentino sofreu uma parada cardiorrespiratória em sua casa na cidade de Tigre, na região metropolitana da capital. O “Pibe de Ouro” passou por uma delicada cirurgia no cérebro no começo do mês e recebeu alta oito dias depois, após drenar uma pequena hemorragia cerebral.

Maradona deixa três filhas (Dalma, Gianinna, Jana) e dois filhos (Diego e Diego Fernando) e uma trajetória vitoriosa no futebol: ganhou a Copa do Mundo de 1986 com a seleção argentina e foi vice em 1990. Passou por grandes clubes, como Boca JuniorsBarcelona e Napoli, e atuou como técnico, inclusive dirigindo a seleção argentina na Copa do Mundo de 2010.

Campeão mundial na Copa do Mundo de 1986, quando ficou eternizado pelos dois gols que marcou contra a seleção da Inglaterra nas quartas de final, Maradona era reverenciado e tratado como Deus na Argentina.

“Muitas vezes me dizem: ‘Você é Deus’. E eu respondo: ‘Vocês estão equivocados’. Deus é Deus, e eu sou simplesmente um jogador de futebol”, afirmou o craque argentino em 1991.

Seu gol de mão contra a Inglaterra ficou mundialmente conhecido pela “mão de Deus”. O outro gol, em que Maradona driblou metade do time (inclusive o goleiro), foi eleito pela Fifa em 2002 como o mais bonito da história das Copas do Mundo.

Maradona salta para dar um soco na bola e marcar um gol sobre a Inglaterra nas quartas-de-final da Copa do Mundo do México, em 1986. O episódio do gol ilegal validado pelo juiz ficou conhecido por ‘A mão de Deus’ — Foto: El Grafico via AP/Arquivo

Um dos maiores da história

Argentinos se despedem de Maradona na Casa Rosada — Foto: AP Photo/Natacha Pisarenko

Diego Armando Maradona nasceu em 30 de outubro de 1960 em Lanús, na província de Buenos Aires. “El Pibe de Oro” cresceu em Villa Fiorito, um bairro muito pobre da periferia da capital argentina.

Com apenas 15 anos, Maradona começou a jogar como profissional no Argentinos Juniors, onde atuou entre 1976 e 1981 e fez 116 gols em 166 partidas. Com o sucesso, se transferiu em 1982 para o Boca Juniors, onde ficou apenas uma temporada.

O craque argentino logo foi para o Barcelona, onde atuou entre 1982 e 1984, na transferência mais cara do futebol até então: US$ 8 milhões (US$ 21,5 milhões em valores corrigidos pela inflação).

De lá foi para o Napoli, na Itália, onde ganhou uma Copa da Uefa, dois Campeonatos Italianos, uma Copa e uma Supercopa da Itália entre 1984 e 1991 e virou ídolo.

Em 17 de março de 1991, seu vício em cocaína custou-lhe a primeira suspensão, de 15 meses. Voltou aos gramados pelo Sevilha, da Espanha, onde jogou entre 1992 e 1993, e retornou à Argentina para uma breve passagem pelo Newell’s Old Boys em 1993.

Depois da Copa do Mundo de 1994 (e da sua segunda suspensão), vestiu mais uma vez a camisa do Boca, onde deixou os gramados em 25 de outubro de 1997, cinco dias antes de seu 37º aniversário.

Em uma despedida memorável em 2001, no estádio La Bombonera lotado, Maradona falou sobre seus vícios: “Errei e paguei, mas o que fiz em campo não se apagou”.

Um dos maiores jogadores da história do futebol mundial, ao lado de Pelé, o craque argentino disputou 676 jogos e marcou 345 gols em 21 anos de carreira na seleção argentina e em clubes.

Maradona também atuou como técnico — atualmente, dirigia o Gimnasia y Esgrima La Plata, um pequeno clube argentino da cidade vizinha a Buenos Aires.

Ele treinou também Mandiyú (1994), Racing (1995), Al Wasl (2011-2012), Al Fujairah (2017-2018) e Los Dorados de Sinaloa (2018), além da seleção argentina na Copa de 2010.

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