GOL suspende operações com modelos MAX 8, da Boeing Companhia voltou atrás horas depois de assegurar confiança em sua frota

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Melhor prevenir do que remediar. A Gol Linhas Aéreas, que no final da manhã desta segunda-feira (11) chegou a emitir uma nota para negar o cancelamento de operações com o Boeing 737 MAX 8 e registrar a confiança em sua frota, voltou atrás e anunciou a suspensão temporária no uso de seus 7 modelos. As aeronaves eram utilizadas em rotas para os Estados Unidos, América do Sul e Caribe. A companhia anunciou que realocou os passageiros do MAX 8 em outros voos.

A pressão sobre a Gol começou com a Fundação Procon de São Paulo, que embora não tenha competência para legislar sobre ações aeronáuticas, alegou agir por interesse na segurança dos clientes Gol e pediu a suspensão imediata das decolagens com o MAX 8.

A medida é reflexo dos 2 acidentes registrados em outubro, em Jacarta com a Lion Air – e neste domingo em Addis Ababa – com a Ethiopian Airlines. As investigações mal começaram, mas operadores em alguns países ainda sim estão desconfiados de uma eventual ligação entre as duas ocorrências, possivelmente no dispositivo criado para corrigir situações de perda de sustentação, chamado de MCAS, sigla em inglês para Maneuvering Characteristics Augmentantion System. E ajuda o piloto a baixar o nariz da aeronave em situações de stoll.

Já a Agência reguladora brasileira prefriu cautela. Lembrou que possui o processo chamado de ‘Aeronavegabilidade Continuada’, dedicado a acompanhar toda a frota em operação no país. “Em casos extremos, dada a reconhecida probabilidade de repetição, bem como a gravidade dos dados disponíveis, pode-se emitir limitações à operação da frota da aeronave”, informou a Anac.

Embora uma boa parte de órgãos reguladores, técnicos e companhias aéreas tenha falado em aguardar as investigações sobre o acidente na Etiópia, a China determinou que as empresas com o modelo americano em suas frotas deixassem os jatos no chão. A sul-africana Kulula e uma operadora das Ilhas Cayman seguiram o exemplo. Nos Estados Unidos e na Europa os aparelhos da fabricante americana seguem operando normalmente.

O Boeing 737 MAX 8 foi lançado em 2017 como uma versão atualizada do 737-800, um dos jatos mais populares e eficientes do mercado em várias décadas. Com economia de até 15% em relação a versão anterior, e, portanto, mais autonomia, a Gol escalou o MAX para suas rotas internacionais mais longas. Agora a companhia aplicará uma nova estratégia de operação em sua frota.  Os trechos domésticos não sofrerão reflexos. Uma das soluções será o aproveitamento dos modelos 737-800 NG, livres de qualquer desconfiança técnica.

As ações da Boeing caíram 6% no pregão de Nova Iorque nesta segunda-feira (11) e o panorama para a fabricante no mercado financeiro não é dos melhores. Existem cerca de 350 aparelhos como os envolvidos nos 2 acidentes voando em companhias ao redor do globo e mais de 5 mil pedidos sob encomenda, muitos da própria Gol Linhas Aéreas.

É possível que os clientes da Boeing optem por frear ou cancelar encomendas caso seus técnicos não apresentem soluções ou explicações urgentes para os rumores negativos sobre o Max 8. A fabricante não esqueceu o pesadelo com os incidentes ocasionados pelo mau funcionamento de baterias de litium usadas nos primeiro modelos do 787 Dreamliner. Na ocasião, aéreas como as japonesas ANA (All Nippon Airways) e JAL (Japan Airlines) e a  American Airlines, dos Estados Unidos, experimentaram eventos preocupantes como curtos-circuitos a bordo. Levou um tempo para se descobrir e consertar as falhas nas baterias. Com o Dreamliner a Boeing deu a volta por cima: o jato é um dos mais bem conceituados no setor.

Sem uma resposta imediata, a Boeing poderá sofrer um dissabor semelhante vivido recentemente por sua principal concorrente. A Airbus acaba de anunciar para 2021 o fim da fabricação do seu A380 – o maior avião de passageiros do mundo – motivado pelo cancelamento de um pedido de 39 unidades pela gigante Emirates.

 

 

 

 

 

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