Garimpadores de relíquias Garimpar móveis e objetos antigos é ao mesmo tempo glamour e poeira, é paciência e escitação.

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Thomaz Saavedra mora em um apartamento de 100 metros quadrados e garante que se tivesse o dobro da área para ocupar iria à falência. “Tudo que tenho aqui no galpão, teria em casa”, diz. No entanto, 80% dos garimpos (cadeiras, mesas, poltronas, aparadores, bares) que vemos em seu es- paço na Lapa, em São Paulo, acabam sendo vendidos fora do Brasil. “Estamos entre os quatro melhores produtores de móveis do mundo, junto com os italianos, os escandinavos e os franceses. Os móveis feitos aqui no século 20 têm delicadeza e qualidade”, explica. Thomaz foi representante das casas de leilão Sotheby’s e Bonhams e desde 2004 coleciona design – ele é apaixonado por pôsteres. Em 2009 abriu seu primeiro espaço. “É um mercado muito excitante. A sensação de encontrar algo legal é demais”, diz. Ele conta que os móveis têm um ciclo e muitos costumam voltar para o mercado depois de alguns anos. “Em tempos de crise recebemos muita coisa”, revela. “É comum as pessoas descobrirem valor numa peça de família e resolverem vender.” E Thomaz explica por que não gosta de restauro: “Prefiro apenas fazer a conservação do mobiliário. O uso carrega a peça de beleza e charme.trip251-corpo-moda11. Estante R$ 12.000 2. Poltrona art déco R$ 7.000 3. Poltrona Sergio Rodrigues R$ 6.500 4. Poltrona Sergio Rodrigues R$ 16.000 5. Escrivaninha Sergio Rodrigues R$ 8.000 Thomaz veste: CAMISA Guess R$ 349 CAMISETA New Era R$ 180 CALÇA Tommy Hilfiger R$ 750 TÊNIS Acervo pessoal                                 FOTO: Ilana Bessler

Vai lá: thomazsaavedra.com.br

Mão na massa
Amigos há mais de dez anos, os três donos do Verniz sempre curtiram velharias. Paulo Bega (em pé) fazia luminárias com ferrovelho, Luciano Tartalia (à direita) mexia em seus carros antigos e Fábio Matheiski (abaixo) montou uma pequena oficina onde transformava achados em arte. Quando resolveram juntar esforços, há um ano, ocuparam a garagem de Luciano com os objetos que garimpavam no interior, em bazares ou no lixo. “Outro dia vi os pezinhos de uma cadeira para fora de uma caçamba. Reconheci na hora, eram do Sergio Rodrigues”, diz Paulo. “Quando a garagem ficou pequena fomos para um espaço no Brás. Mas lá logo ficou apertado e então investimos neste galpão [no centro da cidade]”, conta Luciano. Nos 400 metros quadrados estão sofás, poltronas, luminárias, cadeiras, quadros, esculturas, bancos e uma infinidade de apetrechos para casa. A única restrição do Verniz é que os objetos sejam antigos. E Fábio avisa: “Não restauramos. Damos um tapa na oficina que montamos aqui atrás e, se o cliente quiser, indicamos restauradores”. São eles mesmos que fazem os serviços básicos de limpeza, marcenaria, elétrica e solda. Os preços não são altos, mas o espaço não está aberto ao público. “Trabalhamos apenas com hora marcada, nossos clientes são arquitetos, decoradores e lojas especializadas”, diz Luciano.

trip251-corpo-moda41. Vitrola R$ 380 2. Caixa R$ 175 3. Banco R$ 500 4. Fruteira R$ 430 5. Bancada R$ 4.800 6. Tapete R$ 620 7. Cestas R$ 130 8. Carrinho R$ 1.500 9. Luminária R$ 1.300 10. Pendente R$ 480 Fábio veste: CAMISA Cotton Project R$ 249 PULSEIRA Olha que linda R$ 61 BERMUDA New Era R$ 200 BOTA Dafiti Collection R$ 130 RELÓGIO acervo pessoal CAMISETA Reserva R$ 209 PULSEIRA Olha que linda R$ 28 calça Quiksilver R$ 249 TÊNIS Nike Air para Maze R$ 380 82                       FOTO: Ilana Blesser

Vai lá: vernizsp.com.br

Em breve, showroom
Pouco mais de um ano depois de colocar o e-commerce Apartamento 61 no ar, o casal André Visockis e Vivian Lobato conta que pretende se mudar para uma casa e abrir um showroom. O comércio on-line criou uma clientela, mas não se mostrou a melhor opção para a venda dos móveis: as pessoas querem sentar, tocar, ver por diversos ângulos. “Recebemos os clientes aqui em casa [o apartamento 61 em si], mas o showroom vai facilitar as coisas”, diz André. Ele garante que o preço transparente continua – a dupla mostra quanto lucra em cima de cada peça. “Esse mercado pode ser muito abusivo. Tem gente por aí que paga R$ 500 numa peça, gasta R$ 1 mil para restaurar e vende por R$ 20 mil. Margem gigantesca não é a nossa praia”, afirma André. E completa: “Algumas pessoas veem mobiliário como arte, nós vemos como uma cadeira para sentar”. André e Vivian garimpam móveis e também objetos, como fruteiras, vasos, cinzeiros, placas e bibelôs, que vendem no site e em bazares por São Paulo. Os móveis eles estocam no sítio, no interior paulista, onde mantêm também uma oficina para pequenos reparos. “Preferimos comprar e vender as peças ‘no estado’, com as marcas do tempo. Isso evita falsificação e o cliente pode dar o toque dele no restauro”, conta Vivian.

trip251-corpo-moda51. Cadeira Jorge Zalszupin R$ 3.000 2. Cinzeiro Saarinen R$ 540 3. Cesto R$ 200 4. Vaso art déco R$ 150 André veste: CAMISA Ricardo Almeida R$ 449 CAMISETA Guess R$ 299 CALÇA Cotton Project R$ 120 TÊNIS West Coast R$ 230            FOTO: Ilana Bessler

Vai lá: apartamento61.com.br

Fonte: Revista Trip/Por LIA BOCK

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