Feliz Dia Internacional da (Nova) Alfabetização O educador hoje deve estar preparado para ensinar valores: seu papel é o de formar o "Cidadão Global"

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O novo modelo de educação constrói o caráter do aluno, ensinando valores de tolerância e empatia

UNESCO NO BRASIL

O dia 8 de setembro é o Dia Internacional da Alfabetização, data instituída pela ONU como marco e constante lembrete da importância do tema para que o mundo possa, quem sabe um dia, experimentar um crescimento minimamente mais justo, menos desigual.

Mais de quatro décadas se passaram desde a criação da data. Desde então, muitas oportunidades foram negligenciadas, outras colocadas em prática. O fato, no entanto, é que até mesmo nessa jornada, que deveria ter sido conjunta, a humanidade não deixou o velho padrão egocêntrico de agir, tornando ainda mais evidentes as disparidades econômicas e sociais entre os indivíduos.

A injustiça de muitos acabou custando caro para todos, e com o passar do tempo qualquer um enxergava claramente o processo de declínio que já havia se instalado no planeta. O desgaste era refletido não apenas nos desastres naturais, no aquecimento global, nos efeitos da poluição e em tantos outros.

As consequências foram devastadoras, principalmente, para as pessoas. A pobreza não só não foi erradicada, como cresceu e tornou-se imune a muitas ações para combatê-la. O analfabetismo, no contexto da educação formal, também aumentou, e a ele juntaram-se outras formas de analfabetismo, como aquele que impede a formação de cidadãos conscientes do mundo à sua volta.

A forma de enxergar o planeta e a responsabilidade de cada um (cada governo, cada empresa, cada indivíduo etc.) como elemento participante dos inúmeros processos inerentes ao desenvolvimento global mudaram radicalmente e receberam destaque.

Compromissos foram feitos no âmbito internacional, acordos firmados. Obviamente, não era apenas uma questão de garantir o engajamento de todos – o que, por si só, já representava um desafio enorme-, mas o mundo ainda experimentava avanços tecnológicos significativos, e fazia novas descobertas todos os dias – na saúde, na economia, sobre o comportamento humano, a urbanização etc. Ou seja, se algum avanço fosse feito no quesito participação, novos desafios surgiam porque os conceitos de educação, desenvolvimento etc. mudavam todos os dias.

A AGENDA 2030  

Em setembro de 2015, representantes dos 193 Estados-membros da ONU decidiram adotar um documento chamado “Transformando o Nosso Mundo: A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”, durante um encontro, dessa vez, marcado por um tom um tanto quanto mais duro.

Os países comprometeram-se a tomar medidas “ousadas e transformadoras” para promover o desenvolvimento sustentável “sem deixar ninguém para trás”.

Estabeleceram 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) para erradicar a pobreza até o ano de 2030.

A partir de então, a educação já não podia mais ser colocada em segundo plano, porque passava a ser prioridade não apenas para algumas vozes isoladas, e sim para um planeta inteiro que havia se dado conta do risco real de suas atitudes impensadas e egocêntricas.

A educação, dentro do contexto da Agenda 2030, é condição básica para começar a se erradicar a pobreza. Sem ela, o indivíduo não se desenvolve; e sem o indivíduo, obviamente, sociedade alguma se desenvolve.

A participação que as nações devem ter no momento que vivemos não é mais opcional. Como elementos que compõem um todo, como participantes de uma dinâmica que – quer queiram, quer não – obrigatoriamente os envolve, todos os seres humanos devem prestar contas de seu papel no processo de desenvolvimento global.

E O BRASIL?

Bem, o dever de casa sobre o qual nós, brasileiros, temos de nos debruçar agora, é bem mais complicado. Se já tínhamos de correr atrás do prejuízo causado pelo pouco caso dado à educação formal desde que nos entendemos por nação, ainda teremos de nos adequar aos novos conceitos de alfabetização e de cidadão global (e de tantos outros) que o mundo já acompanha há muito tempo.

Nada que o governo brasileiro já não esteja careca de fazer com seus “jeitinhos” para resolver tudo. Mas agora, sem muito “jeitinho” de disfarçar e sob os olhares atentos dos nossos vizinhos, preocupados em garantir que nada atrapalhe o sucesso dos ODS da Agenda 2030.

Aliás, vale ler o texto de Alessandra Nilo publicado na edição da Carta Capital de 07 de outubro de 2015.

Será que agora, finalmente, vai? Tomara, mas a participação de todos nessa jornada é imprescindível. Feliz Dia Internacional da Alfabetização!

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Eduarda Sahlit é jornalista e editora responsável pelo site Brasilia in English (www.brasiliainenglish.com.br), que promove a capital brasileira em inglês, de maneira clara e didática, para os estrangeiros que vivem na cidade, no Brasil e no mundo todo.

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