Enfim, Polícia põe a mão em provas robustas de influência de Lula para enriquecer filho Sarney, Renan, Paulo Bernardo estão na mira da operação Mapa da Mina

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A Justiça negou o pedido de prisão de Fábio Luís, filho que o ex- presidente Luís Inácio Lula da Silva chamou de “Ronaldinho dos negócios” por ele ter ficado milionário da noite para o dia, mas a Polícia Federal cumpriu hoje cedo, no âmbito da Operação Mapa da Mina, mandados de busca e apreensão que desvendam o segredo dos criminosos.

Os repasses da Oi para as empresas de  Lulinha cresceram substancialmente depois que Lula autorizou o BNDES aportar R$ 1,8 bilhão na operadora, para que comprasse a Brasil Telecom, em 2008.

Um dos mandados  cumpridos hoje, na residência da advogada Emília Maria Silva Ribeiro, ex-integrante do Conselho Diretor da Anatel deixa claro o rastro de crimes.

Indicada à agência reguladora pelo MDB do Senado, a advogada é ligada a José Sarney e esteve por anos lotada no gabinete de Renan Calheiros. Emília é peça-chave na operação de fusão da BrOi.

A assessora de Renan tornou-se a relatora que emitiu parecer favorável à aquisição da Brasil Telecom (BRT) pela Telemar.

A articulação envolveu o próprio Lula, além de Luciano Coutinho, então presidente do BNDES, e os executivos Pedro Jereissati, Otávio Azevedo e Flávio Machado. Também são citados José Dirceu e Zuma.

Como mostram emails internos da Andrade Gutierrez, desde maio de 2008 se falava da necessidade de um “quinto conselheiro” da agência para autorizar a fusão.

Segundo Otávio Azevedo, a indicação de Emília seria feita “após tratativas com o Jucá (pelo Flavio Gomes Machado, a meu pedido)”.

“O tema de sempre é que o chefe deve apoiar ‘incondicionalmente e prontamente’ (SIC) as sugestões de Luciano Coutinho”, escreveu o executivo. “Ele é o melhor e mais confiável interlocutor que temos para fazer o Projeto Oi-BRT Acontecer.”

A advogada, então no Conselho Consultivo da Anatel, foi deslocada para o Conselho Diretor por um decreto de Lula, de 9 de setembro. E, nas semanas seguintes, o caminho para fusão das operadoras estava pavimentado. No início de dezembro, Emília emitiu voto favorável e, logo depois, o colegiado referendou a posição.

De acordo com o MPF, os detalhes do negócio foram depois sacramentados por Otávio em reuniões com Luciano Coutinho, José Dirceu e Zunga – além de Hélio Costa (então ministro das Comunicações) e Carlos Jereissati.

Naquele ano, o BNDES desembolsou mais de R$ 686 milhões para apoiar o processo de reestruturação societária do Grupo Telemar, incluindo a subscrição e integralização de debêntures conversíveis da La Fonte Telecomunicações.

As investigações mostram também que o sócio de Lulinha,  laranja que escondia a verdadeira propriedade do Sítio de Atibaia,   Jonas Suassuna, repassou R$ 609 mil, entre 2011 e 2014, para uma transportadora utilizada por doleiros para fazer entregas de propina a políticos.

Paulo Bernardo ajudou Lulinha no esquema com a Vivo. Para entender a história, temos que lembrar que a Movile Internet Móvel injetou milhões na fracassada “Nuvem de Livros”, espécie de biblioteca virtual da Gol Mobile, de Jonas Suassuna. A maior parte dessa fortuna saiu dos cofres públicos através da Financiadora de Inovação e Pesquisa (Finep), do qual o então ministro das Telecomunicações, Paulo Bernardo Silva, era conselheiro de administração. Assinado em maio de 2014, o contrato de financiamento a fundo perdido estava vinculado à criação de aplicativos de conteúdo nacional.

Paulo Bernardo emitiu portaria nº 87 que eliminava PIS/Pasep e Cofins sobre a receita da venda de smartphones que apresentassem um pacote mínimo de aplicativos desenvolvidos no Brasil.

O MPF descobriu que, após a medida, os repasses da Movile para a Gol Mobile saltaram de pouco mais de R$ 150 mil para R$ 1,5 milhão, mesmo com um volume de acessos inexpressivo à Nuvem de Livros.

Os investigadores também descobriram que Fabrício Bloise Rocha, sócio-fundador da Movile, se reuniu com Suassuna na sede do grupo Gol um dia após a primeira liberação do contrato da Finep.

Na quebra de sigilo da Gol, apurou-se que a empresa de Suassuna recebeu da empresa de aplicações móveis um total de R$ 40 milhões, entre 2014 e 2016.

“Constata-se que, de 2007 a 2011, de 90% a 98% das receitas auferidas pelo sujeito passivo (Gamecorp) têm origem em empresas do Grupo Oi”, informa relatório do Fisco.

“No exame da documentação dos negócios celebrados, os indícios convergem para o favorecimento da Gamecorp, em detrimento das contratantes.”

No documento, é destacado o papel do executivo Marco Norci Schroeder, que chegou à Presidência da operadora de telefonia e ocupava assento no conselho da empresa de Lulinha. Ele também foi alvo da Operação Mapa da Mina.

Depois do “grande estardalhaço na mídia” acerca da suspeita de tráfico de influência envolvendo o filho de Lula e a companhia, Lulinha buscou diversificar seus ganhos e a Gamecorp passou a “auferir receitas por outros clientes relevantes”. Porém, todos investigados na Lava Jato, “tais como a Cervejaria Petrópolis”.

E mesmo com a redução do peso da Oi nos balanços financeiros da Gamecorp, a operadora “se manteve na faixa dos 60%”.

De 2013 a 2015, a Oi Móvel pagou cerca de R$ 17 milhões à empresa de Lulinha, e a TNL PCS repassou mais R$ 9 milhões, totalizando cerca de R$ 27 milhões. Ambas as empresas eram presididas por Marco Schroeder.

Lulinha também tem laranjas, assim como o já condenado pai, Lula.

Segundo as investigações, o apartamento que Lulinha passou a ocupar em 2013, ao lado do parque Ibirapuera, custou ao menos R$ 4,6 milhões, mostra o MPF na representação da Operação Mapa da Mina.

A aquisição e reforma do imóvel foram bancadas por Jonas Suassuna, o sócio de Fábio Luís Lula da Silva na Gamecorp, abastecida com R$ 132 milhões da Oi entre 2004 e 2016.

Detalhes da reforma chegaram a fazer parte da proposta de delação de José Carlos Bumlai.

As investigações da PF, no entanto, mostraram todas as benfeitorias feitas na unidade 231, Bloco B, do Condomínio Hemisphere, localizado na avenida Juriti, 73, Vila Uberabinha, São Paulo.

O apartamento de 335 m², lançado em 2008, foi adquirido por Jonas Suassuna em 2009 por R$ 3 milhões. A escolha da planta coube a Lulinha, mostra um e-mail de agosto de 2010:

As chaves foram entregues em 2012 a Lilian Bittar, arquiteta e esposa de Fernando Bittar, um dos donos oficiais do sítio de Atibaia e também sócio de Lulinha.

Coube a ela fazer a reforma, executada em 2013, e que incluiu decoração, iluminação, climatização, redes de dados, áudio e vídeo, além de armários planejados.

Custo da reforma: R$ 772.762,32. Custo da mobília: 725.811,49. Custo dos eletrodomésticos: R$ 130.889,69. Tudo somado, o apartamento saiu por R$ 4,6 milhões.

Apesar do alto valor investido, Jonas Suassuna alegou ter alugado o apartamento para Fábio Luís por somente R$ 15 mil por mês — o valor de mercado é R$ 40 mil.

A Operação Mapa da Mina, um desdobramento da operação lava jato definitivamente colocou a mão no fio de novelo da corrupção que enriqueceu a família de Lula. Ainda estão por vir novas revelações que devem levar ou pelo menos, tentar levar os corruptos que sugaram o dinheiro público nos últimos anos, isso tudo se o Supremo Tribunal Federal não atrapalhar a Lava Jato.

Com informações de G1, MP, Agência Estado e O antagonista.

 

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