Desembargador Athié, que aliviou Silas, Othon e demais corruptos ficou sete anos afastado por suspeita de crime

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O desembargador Ivan Athié, do TRF-2, que revogou a ordem de prisão contra Silas Rondeau, ex-ministro de Minas e Energia de Lula, e outros 11 alvos da Operação Fiat Lux também foi o responsável pela soltura do ex-presidente Michel Temer.

O magistrado que soltou Temer e mais seis acusados de corrupção na ocasião, já esteve sete anos suspenso do cargo enquanto era investigado por suposta prática dos crimes de formação de quadrilha e estelionato.

O então juiz foi acusado de ter proferido duas sentenças, supostamente em conluio com um grupo de advogados, para autorizar o levantamento de vultosos valores financeiros, quando titular da 4ª Vara Federal no Espírito Santo.

No entanto, o MPF conclui que não havia provas do crime e a ação foi arquivada em 2008. Em 2013, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu pelo trancamento da ação penal em curso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra Athiê pelos mesmos crimes.

Como desembargador, o magistrado tem votos e decisões polêmicas. Em 2016, ele decidiu conceder um habeas corpus ao bicheiro Carlinhos Cachoeira e o ex-presidente da construtora Delta, Fernando Cavendish. Quartro dias depois, o desembargador declarou-se impedido para julgar o caso. Segundo o MPF, Athié é amigo do advogado de Cavendish, Técio Lins e Silva.

Também em 2016, Athié foi o único desembargador que defendeu prisão domiciliar para ex-primeira dama do Rio de Janeiro , Adriana Ancelmo, mulher do ex-governador Sérgio Cabral, que estava detida. Em seu voto, o magistrado justificou que ela deveria cuidar dos filhos.

Em março de 2017, Bretas concedeu prisão domiciliar à ex-primeira dama e em agosto do ano passado, ela foi liberada da prisão domiciliar também por Bretas.

Athié também foi voto vencido em 2017, quando a primeira turma do TRF-2 manteve a prisão do “rei do ônibus” Jacob Barata Filho, rejeitando o habeas corpus da defesa. Antonio Ivan Athié foi o único que defendeu a prisão domiciliar do investigado da Operação Ponto Final, desdobramento da Lava Jato que investiga empresários de transporte público por pagamento de propinas.

A investigação da Fiat Lux mira supostas propinas na Eletronuclear, delatadas pelo lobista Jorge Luz.

Entre os alvos de ontem, também estava o ex-deputado Aníbal Gomes, do MDB. A operação foi autorizada pelo juiz federal Marcelo Bretas, que conduz a Lava Jato no Rio.

Ivan Athié acolheu pedido do advogado Fernando Fernandes, defensor de Ana Cristina Toniolo, filha do ex-presidente da Eletronuclear Othon Luiz Pinheiro

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