Delegada que investigava Bolsonaro é afastada

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O diretor-geral da Polícia Federal, Rolando Alexandre de Souza, que assumiu em meio ao escândalo que levou ao pedido de saída do ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro por discordar da interferência de Bolsonaro na PF, afastou a delegada Christiane Correa Machado da função de chefe do Serviço de Inquéritos da Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado (SINQ) – responsável por investigar autoridades com foro especial.

Christiane Machado era quem estava à frente do inquérito que apura a suspeita de interferência de Jair Bolsonaro na PF e foi quem encaminhou ao então ministro Celso de Mello ofício para ouvir presencialmente o presidente da República.

Em 8 de outubro, depois de atritos entre Celso e Marco Aurélio, o caso foi a julgamento no plenário, apenas para que o ainda decano votasse pelo acolhimento do pedido.

Em seguida, Luiz Fux suspendeu a votação. Com a aposentadoria de Celso de Mello, o processo foi redistribuído a Alexandre de Moraes, que pediu uma “atualização” da investigação. Até hoje, Bolsonaro não depôs.

O delegado Felipe Alcântara de Barros Leal, que já integrava o grupo vai substituir Christiane Machado.

Sergio Moro deixou o governo acusando o presidente de interferir na Polícia Federal, em especial na diretoria do Rio de Janeiro, onde existem investigações sobre crimes cometidos por familiares de Bolsonaro.

O ministério Público Federal, depois de mais de dois anos de investigação denunciou este mês, o filho 01, senador e ex-deputado estadual Flávio Bolsonaro por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A denúncia se dá no âmbito das investigações das “Rachadinhas”, esquema criminoso de roubo de dinheiro público na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, que levou para a prisão o ex-motorista de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz e sua esposa.

No dia que Sérgio Moro pediu demissão do Ministério, o presidente Bolsonaro havia ameaçado demitir o ex-juiz da Lava-Jato, caso não pudesse interferir na PF. “Não vou deixar foder minha família”, alegou Bolsonaro na época.

No mesmo dia, Bolsonaro demitiu o então diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo e o substituiu por Rolando Alexandre.

Valeixo comandava Investigações sobre crimes,como os de disseminação de notícias Falsas contra o Supremo Tribunal Federal que descobriu a existência do Gabinete do Ódio, comandado pelo vereador Carlos Bolsonaro, o filho 02. Policiais que trabalham na operação garantem que o filho do presidente é o mentor de todos os ataques que foram disparados contra o Supremo e contra o Congresso.

Bolsonaro sabe que não tem controle sobre a Polícia Federal, a não ser o poder de demitir o ministro da justiça ou o diretor Geral e portanto, teme que, quando todas as provas contra Carlos forem reunidas, muita coisa vazará para a imprensa, abrindo mais uma crise monumental.

Suspeita-se que Carlos Bolsonaro também esteja por trás do movimento que defende o fechamento do STF e do Congresso e a volta do AI-5 e tenha desviado dinheiro público com funcionários fantasmas. Onze servidores do gabinete do vereador, são investigados como supostos funcionários fantasmas. Eles receberam, desde 2001, R$ 7 milhões em salários. O valor, que não foi corrigido pela inflação, aparece em um documento da investigação sobre Carlos, em andamento no Ministério Público do Rio (MP-RJ), que trata da suposta prática de peculato, crime que ocorre quando um funcionário público desvia verbas para uso próprio.

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