Criptomoedas derretem e investidores tentam fugir do prejuízo

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A derrocada dos preços pegou muitos investidores de surpresa, aquecendo novamente a discussão sobre o futuro dos ativos digitais como o Bitcoin.

A criptomoeda Ethereum foi na onda da queda do bitcoin e recuou levando o mercado a perder US$ 460 bilhões em um só dia.

Em 24 horas, os criptoativos recuaram 21,96% e agora valem US$ 1,57 trilhão e seguem em queda. As moedas digitais que já estavam indo ladeira abaixo ganharam mais um empurrãozinho nesta quarta-feira (19).

A China anunciou mais restrições à circulação das criptomoedas, e o ether, segunda maior moeda, atrás apenas no bitcoin, afundou 27% nas últimas 24 horas para cerca de US$ 2.469, de acordo com FTX e TradingView.

Trata-se da maior perda diária desde 12 de março de 2020 (quando o bitcoin chegou a cair 33%). Já o bitcoin recuou 14% para cerca de US$ 36.854 nas últimas 24 horas.

Com isso, o mercado de criptomoedas deu adeus a cerca de US$ 460 bilhões em valor de mercado em um dia, segundo cálculos da TradingView, replicados pela corretora CoinDesk. Juntos, os criptoativos recuaram 21,96% e agora valem US$ 1,57 trilhão.

“O catalisador é um mercado que está sentindo um pouco mais de pressão das macro forças globais que estão pesando sobre os ativos correlacionados ao risco”, disse Joel Kruger, estrategista de moedas da LMAX Digital, em nota à Coindesk.

Mas não é só o mercado que atazana a vida dos investidores. Os pequenos também sofrem com a falta de fiscalização das criptomoedas. Em um recente história o site de notícias InfoBae contou a saga do investidor Pablo Filomeno, que vem comprando Bitcoin desde 2016 e agora tem a sua fortuna presa em um golpe aplicado por uma corretora.

Tudo começou por volta de 2016, quando Pablo Filomeno começou a comprar suas primeiras frações de Biticoin em uma plataforma chamada Bitinka, uma das primeiras empresas a permitir operações com Bitcoin na Argentina.

Por volta de 2019 quando a plataforma da Ripio chegou na Argentina, ele quis transferir todo o seu dinheiro da Bitinka para ela. Foi então que os problemas começaram. Ele não conseguiu transferir seus bitcoins, vender as moedas ou retirar o dinheiro.

A empresa então afirmou que estava com saques bloqueados por causa de uma auditoria que estava sendo realizada na plataforma, mas que em até 90 dias uteis estaria tudo resolvido.

“Eu esperei, esperei e esperei e ainda não consegui o dinheiro. Disseram que depois de ​​90 dias úteis estaria resolvido mas os prazos acabaram e tudo continuou o mesmo. Mas o que mais me chamou a atenção é que o suporte técnico deixou de me responder, quando antes respondiam rapidamente.”

Ao buscar mais informações nas redes sociais, Pablo começou a notar um problema, mais de 400 pessoas já tinham reclamado que não tinham como retirar o dinheiro que elas tinham na plataforma.

De acordo com Pablo, que criou um grupo no Facebook chamado de “Bitinka Golpe” para reunir as vítimas da plataforma, existem pelo menos 66 pessoas querendo mover um processo contra o CEO da Bitinka para que sejam liberados US $ 1,5 milhão bloqueados na empresa.

Enquanto o caso estava entre os clientes a empresa não se pronunciava sobre o atraso. No entanto quando a notícia começou a circular entre sites e programas ela divulgou uma nota firmando que hackers exploraram falhas na API para criar ordens de compra e venda com valores suspeitos.

Sendo assim era necessário fazer um processo de auditoria melhor para que os bitcoins fossem devolvidos a seus verdadeiros donos. Mas depois do prazo dessa nova auditoria ter acabado, nada do dinheiro ser devolvido aos clientes e Pablo voltou a estaca zero.

O valor de Pablo retido na corretora é de cerca de US$ 180 mil (R$ 940 mil ou 16.890.714 pesos argentinos.), um dinheiro que com certeza está fazendo falta no meio da terrível crise financeira do país.

“Já faz quase dois anos que não consigo retirar meus ativos. Vivo angustiado e em estado de constante desamparo devido a este problema. Espero que esta questão tenha relevância mundial e que de uma vez por todas os golpistas de criptoativos sejam condenados com todo o peso da lei porque me enganaram ”, concluiu Pablo.

Atualmente a Bitinka continua bloqueando os valores de seus clientes e chegou até mesmo a mudar a sede da empresa do Peru para a Espanha.

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