Aras contra investigação de Bolsonaro e Wassef por suspeitas de corrupção, depois de 68 dias engavetando Contrato de R$5 milhões para advogado sem experiência na área levantou suspeitas

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A notícia-crime ajuizada em junho no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o presidente Jair Bolsonaro e seu então advogado Frederick Wassef ficou há 68 dias engavetada no gabinete do procurador-geral da República, Augusto Aras, que se posicionou contra a abertura de Investigações na última sexta-feira (11).

As denuncias são de prováveis irregularidades em negociações com a concessionária Aeroporto Brasil Viracopos, que mantém negócios com o governo federal.

Aras enviou ao ministro do STF, Ricardo Lewandowski a manifestação contrária da PGR sobre o pedido feito pelo advogado Carlos Eduardo Silva Duarte para investigar a suposta atuação de Bolsonaro em acertos firmados entre Wassef e a concessionária.

De acordo com a denúncia, mesmo sem qualquer experiência na área de aviação, Wassef foi contratado pela concessionária em 2019, quando já era advogado da família Bolsonaro, para prestar “consultorias jurídicas e estratégicas”, em um acerto estimado em 5 milhões de reais.

Em maio, Bolsonaro recebeu no Palácio do Planalto o presidente do Conselho de Administração da Triunfo — empreiteira líder do consórcio — e do Aeroporto de Viracopos, João Villar Garcia. Minutos antes da reunião, Bolsonaro teve um encontro com Wassef, como mostra a agenda oficial.

Na ação no STF, o advogado Carlos Eduardo Silva Duarte pede que Bolsonaro seja investigado pela prática dos crimes de advocacia administrativa e corrupção passiva. No caso de Wassef, ele sugere a apuração sobre tráfico de influência, corrupção ativa e ocultação de recursos provenientes de infração penal.

O procurador-geral não quer a abertura de uma investigação, que ficaria a cargo da própria PGR, caso o ministro Ricardo Lewandowski ainda decida pela abertura do procedimento para investigar o presidente da República e seu agora ex-advogado.

Wassef, que escondia Fabrício Queiroz, quando este foi preso no caso das rachadinhas, esteve na PGR em outubro do ano passado para defender os interesses da JBS na repactuação do acordo de delação premiada da empresa dos irmãos Joesley e Wesley Batista, sem procuração para atuar no caso.

O encontro foi intermediado pelo presidente Jair Bolsonaro , que ligou para Augusto Aras e para o subprocurador responsável pelo processo pedindo para receber seu advogado. Segundo dados do Coaf, Wassef recebeu 9 milhões de reais da JBS desde 2015.

Para um presidente que se elegeu alardeando que combateria a corrupção e apoiaria a Operação Lava Jato, Bolsonaro fica cada vez mais apenas na retórica do discurso e sob a proteção de um Procurador Geral escolhido a dedo, fora da costumeira lista tríplice, apresentada pelos procuradores.

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