Cobras, lagartos e tubarões em Brasilia além de crimes ambientais sugerem tráfico de animais

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A Polícia Civil do Distrito Federal – PCDF acredita que o homem picado por uma cobra Naja kaouthi na última terça-feira (7), revelou um grande esquema de tráfico internacional de animais silvestres no DF.

Segundo o delegado Willian Ricardo, responsável pelas investigações na 14ª Delegacia de Polícia (Gama), a busca agora é para identificar a rede criminosa de tráfico de animais.

Na sexta-feira 10, outros quatro estudantes de medicina veterinária, ligados a Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkul, a vítima da cobra Naja e acusado de ser o dono da serpente asiática que chega a valer R$20 mil no mercado do crime, foram ouvidos pela PCDF.

Gabriel, apontado como o responsável por esconder o animal enquanto Pedro era atendido no Hospital Maria Auxiliadora, no Gama, e de ter abandonado a serpente perto do shopping Pier 21, é um deles.

Gabriel foi autuado em R$ 2 mil pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – Ibama. Segundo o delegado, Gabriel não colaboru com as investigações e nega participação no caso.

Pedro também foi multado pelo Ibama, por não ter permissão para manter o animal em ambiente doméstico.

Na manhã deste sábado (11), mais uma cobra do acervo de Pedro foi localizada, ao todo são 18 cobras. O animal estava escondido em um apartamento localizado no Guará, de propriedade do pai um amigo de Pedro.

Além da serpente da espécie jiboia arco-íris, segundo o analista ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Roberto Cabral, foi encontrada a pele de uma serpente surucucu e diversos ratos que seriam criados “para servir de alimento ao animal”, carcaça de tatu e pena de arara.

Pele de uma serpente surucucu encontrada em apartamento no Guará

“Uma questão grave é que essa pele daqui é de surucucu, uma serpente peçonhenta que só ocorre na Mata Atlântica e na Amazônia, e nós estamos no Cerrado. Então, isso denota que o animal esteve aqui ou alguém que detém esse animal entregou de presente a pele a essa pessoa”, afirma analista do Ibama.

As investigações da Polícia Civil apontam que os animais teriam sido deixados no apartamento pela “mesma pessoa que estaria vinculada à ocultação da naja e das outras 16 serpentes apreendidas em um haras, na região de Planaltina”.

Segundo a PCDF, o imóvel estava desocupado e sob a responsabilidade de um servidor público do Judiciário, que não teve a identidade revelada. Ele foi conduzido à 14ª Delegacia de Polícia (Gama).

‘Maus-tratos’
De acordo com o delegado William Andrade, que investiga o caso, a apreensão deste sábado gera “responsabilização criminal”, uma vez que os suspeitos tentaram esconder o animal. Ainda segundo a autoridade, o ato configurou maus-tratos à cobra, que estava em uma caixa.

“Sem condições de locomover, um espaço muito confinado, portanto, caracterização de maus-tratos”, disse o delegado.
A polícia fez novas apreensões de animais mantidos em cativeiro
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O analista ambiental do Ibama, Roberto Cabral explica que o animal tem documentação, no entanto, não tem respaldo da pessoa física que está em posse da jiboia. Segundo ele, a cobra estava sendo mantida de “forma inapropriada”.

“A condição que esse animal se encontra é uma condição inadequada. A caixa é muito pequena e o animal é muito grande, ele não consegue nem se esticar dentro da caixa, quanto mais se locomover.”
Ao todo, os policiais apreenderam 18 serpentes no Distrito Federal. Dessas, 17 foram levadas ao Zoológico de Brasília (veja detalhes abaixo).

O Ibama orienta que as pessoas que mantêm animais silvestres ou exóticos de forma irregular façam a entrega voluntária ao Ibama em todas as unidades do país. Segundo o órgão, a população também pode denunciar suspeitas de criação por meio da “Linha Verde”, no telefone 0800-618080.

Tráfico de animais silvestres
Acidente com cobra Naja pode revelar esquema de tráfico: o que já sabemos
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Na quinta-feira (9), após a apreensão de 16 serpentes em um haras na área rural de Taquara, na região de Planaltina, a Polícia Civil do DF revelou um suposto esquema de tráfico de animais silvestres pelo estudante de medicina veterinária.

Cobras apreendidas após estudante ser picado por naja ‘estão magras e com lesões’, diz Zoológico de Brasília
De acordo com o delegado Ricardo Bispo, da 14ª Delegacia de Polícia do Gama, na casa do jovem, no Guará, foram encontrados objetos que indicavam que no local eram criadas outras serpentes. “A investigação revela um possível esquema de tráfico de animais. Vamos investigar a origem dessas cobras, como chegaram no Brasil”, disse o delegado.

Três colegas dele, incluindo o jovem que teria abandonado a naja, na última quarta-feira (8), perto de um shopping, no Lago Sul, foram ouvidos pela 14ª DP, na sexta (10). Pedro Henrique deve prestar depoimento “assim que estiver em condições”, já que segue internado em hospital particular do Gama.

O delegado afirmou que os jovens são de classe média e classe média alta e cursam medicina veterinária em uma instituição particular do Gama. A Faculdade Faciplac confirmou ao G1 que o Pedro Henrique estuda na instituição.

Na sexta-feira (10), o Ibama multou o jovem em R$ 2 mil, por criar a naja sem autorização. Segundo a polícia, as investigações apontam que ele é o dono das serpentes

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