Cármen Lúcia diz ser inaceitável atacar Justiça. E ataque do STF contra Constituição ministra? Em discurso, com presença do investigado presidente Michel Temer, ela não citou Gilmar mendes, alvo de ataques em locais públicos

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STF abertura 2018

A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, fez um discurso em defesa da Justiça na abertura, nesta quinta-feira (1º) dos trabalhos do Judiciário em 2018. Para ela, é inadmissível e inaceitável atacar a instituição.

Cármen Lúcia não citou o recente caso em que o ministro Gilmar Mendes foi achincalhado por passageiros em um voo comercial, as tomadas dirigidas a ele e nem um outro caso específico. Para ela, uma pessoa pode até discordar   de uma decisão judicial, mas deve fazer a reclamação dentro dos meios legais.

Segundo a presidente do STF, “pode-se ser favorável ou desfavorável a decisão judicial pela qual se aplica o direito. Pode-se buscar reformar a decisão judicial, pelos meios legais e pelos juízos competentes. O que é inadmissível e inaceitável é desacatar a Justiça, agravá-la ou agredi-la”, discursou.

 

Cármen Lúcia não falou sobre os desmandos inaceitáveis e recorrentes do STF que além de não prender, solta bandidos do colarinho branco, desrespeitando a Constituição federal e afrontando os cidadãos.  Ela também não falou nada sobre as condenações inexistentes no STF de denunciados pela Lava Jato. Enquanto a primeira e segunda instancias já condenaram na operação Lava Jato, 144 pessoas por corrupção e lavagem de dinheiro, o STF não concluiu nenhuma ação penal da Lava Jato envolvendo políticos com foro privilegiado, apesar de estar sentado sobre 193 inquéritos.

Enquanto as condenações se acumulam em primeira e segunda instância, e até a do ex-presidente, Lula   que teve sua pena fixada em 12 anos e 1 mês de prisão pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), nenhuma ação penal foi sequer finalizada pelo STF.

Ouviram o discurso os investigados pelo STF, por crimes de corrupção, o presidente Michel Temer; os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia e do Senado, Eunício Oliveira; diversos ministros, além da procuradora-geral da República, Raquel Dodge.

O Supremo está sentado sobre ações penais da Lava Jato que envolvem quase toda a cúpula do Congresso e auxiliares diretos do presidente Michel Temer. Parlamentares como Renan Calheiros, Romero Jucá, Eunício Oliveira, Aécio Neves, Fernando Collor, José Serra e Gleisi Hoffmann. Gleisi e Collor são os únicos que viraram réus. Os políticos que estão presos não foram julgados pelo Supremo porque perderam o foro privilegiadíssimo, entre eles os ex-presidentes da Câmara Eduardo Cunha e Henrique Eduardo Alves e o ex-senador Gim Argelo, todos na primeira instância.

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