Candidato de Bolsonaro viajou com dinheiro da Câmara para receber propina

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O candidato do presidente da República, Jair Bolsonaro, para presidir a Câmara dos Deputados, Arthur Lira é a cara de tudo que Bolsonaro combateu durante sua campanha eleitoral de 2018.

O ex-presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, em 2015, deputado Arthur Lira (PP-AL), chegou a ser denunciado pelo Ministério Público sob suspeita de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, e até usou verba da Câmara para custear viagens a São Paulo em dias em que fez visitas ao escritório do doleiro Alberto Youssef.

Notas fiscais de sua cota para exercício da atividade parlamentar mostram que, em três ocasiões, viagens de Lira a São Paulo coincidem com registros de entrada na portaria de um escritório de Youssef.

A Polícia Federal diz que as visitas ao doleiro, “ao que tudo indica”, eram para pedir o pagamento de dívidas de campanha e apanhar dinheiro em espécie oriundo do esquema de corrupção na Petrobras.

Lira presidiu a Comissão de Constituição e Justiça, a mais importante da Câmara, e era aliado de confiança do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), também denunciado e que foi condenado na Lava Jato.

Em tese, a verba parlamentar é destinada a passagens aéreas e é reservada para atividades relacionadas ao mandato ou para retorno ao Estado de origem do parlamentar.

As viagens de Brasília a São Paulo para visitar Youssef foram nos dias 3 de fevereiro de 2011, 24 de fevereiro de 2011 e 7 de julho de 2011.

Em todas, Lira deixou São Paulo no mesmo dia. Em uma delas, o retorno foi para Brasília. Em outras duas, para Alagoas, seu Estado de origem.

O custo total desses deslocamentos foi de cerca de R$ 3.500, segundo os dados das notas fiscais.

Há um quarto registro da entrada de Lira em escritório de Youssef, em junho de 2010, mas esse caso não coincide com voos de sua cota.

Arthur Lira afirmou na época que as viagens foram realizadas para tratamento de saúde ou atividades do mandato. Segundo o advogado Pierpaolo Bottini, o deputado não nega ter ido ao escritório de Youssef. Lira, disse que na época não conhecia as atividades do doleiro e acreditava que era um representante da tesouraria do PP. Partido em que continua até hoje.

Lira só não explicou o porque de suprimir o nome, pelo qual é conhecido, na entrada do escritório de Youssef. Ele se registrou na portaria com o nome de Arthur Cesar Pereira.

O candidato de Bolsonaro, de acordo com outra denúncia oferecida em abril de 2018 pela Procuradoria-Geral da República (PGR), recebeu propina de R$ 106 mil do então presidente da Companhia Brasileira de Transportes Urbanos (CBTU) Francisco Colombo, que buscava apoio político para se manter no cargo. Os repasses teriam ocorrido em fevereiro de 2012.

O montante foi apreendido no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, junto a um assessor parlamentar de Lira. Ele tentou embarcar para Brasília com o valor escondido dentro das vestes e até nas meias, e com passagem também paga pelo gabinete do deputado, ou seja pago pelo contribuinte. O inquérito sobre a propina da CBTU teve origem em delações premiadas do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e do próprio doleiro Alberto Youssef.

Lira já é também réu no Supremo no inquérito da Operação Lava-Jato apelidado de “quadrilhão do PP”. Ele responde por organização criminosa por suposta participação em esquema de desvios que perdurou por cerca de uma década, causando prejuízo de R$ 29 bilhões à Petrobras.

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