Candidato a presidente do Cruzeiro é epicentro do maior escândalo judicial de Minas Gerais Às vésperas das eleições na Toca da Raposa, vazamento de inquérito sigiloso coloca em cheque a candidatura de Sergio Augusto Santos Rodrigues

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Nesta semana, na próxima quinta-feira 21 de maio, estão previstas as eleições para escolher o novo presidente e nova mesa diretora do conselho deliberativo do Cruzeiro Esporte Clube. As disputas internas, porém, podem tomar rumo diferente depois do vazamento de um processo sigiloso que envolve um dos principais candidatos a presidente da agremiação futebolística mineira.

O BSB Magazine teve acesso ao processo sigiloso que corre no Superior Tribunal de Justiça 1.057/MG, sob a relatoria do ministro Herman Benjamin. São três volumes e mais de 13 apensados, que parecem não ter mais fim, mas com certeza estão até hoje, sem conclusão.

Sergio Augusto Rodrigues dos Santos é o epicentro de um dos maiores escândalos envolvendo o judiciário de Minas Gerais. Trechos do inquérito sigiloso foram enviados para conselheiros do time de futebol. A investigação, apresentada ao então presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Francisco Falcão em 2015, denunciou a venda de votos por juízes e desembargadores. Os crimes são de concussão, lavagem de dinheiro e tráfico com compra de votos em processos judiciais.

Sergio Rodrigues é filho do ex-presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), Joaquim Herculano Rodrigues e irmão de Lílian dos Santos Rodrigues e Guilherme dos Santos Rodrigues, que segundo as investigações “são bem atuantes nas comarcas de Sete lagoas e Belo Horizonte”. De acordo com a PF, Sergio Rodrigues apresentou um “crescimento considerável no quantitativo de processos” logo após ter se tornado advogado e sem muita experiência.

Sérgio Augusto advoga em 11.599 processos, incluindo os 331 da sua maior cliente a Telemar/Oi, mas seu envolvimento com delitos, segundo as investigações estão para além dos contratos milionários advocatícios.

A empresa de telefonia ficou famosa pela relação nebulosa com o filho do ex-presidente Lula, primeiro a ocupar a presidência da República a ser condenado e preso. No caso de Lula por ocultação de bens comprados com dinheiro roubado do povo.

Entre os clientes, que ganharam causas consideradas impossíveis nos tribunais mineiros está o ex-senador Zezé Perrella, dono do helicóptero apreendido com meia tonelada de cocaína em 2013. A apreensão do helicóptero não deu em nada para o amigo do deputado federal Aécio Neves, também torcedor do Cruzeiro e enrolado com a justiça, mas que nunca foi condenado na justiça mineira.

Outras figuras conhecidas no processo são o ex-juiz do TER-MG Bady Curi Neto, e empresários como José Elias da Silva ex-dono da Packfoods, uma então atuante no mercado de distribuição. Eles chegaram a serem detido por ordem do ministro por conta de um acordo para ganhar na Justiça uma ação contra o Banco Rural.

Segundo as investigações, os empresários José Elias da Silva Júnior e Luciano José da Silva, sócios da empresa só conseguiram ganhar a ação no valor de mais de R$ 2 milhões com a ajuda do advogado Bady Elias Curi Neto, ex-juiz do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), que teria intermediado pagamento de propina. Herman Benjamin determinou inclusive investigações sobre o desembargador Antônio Carlos de Oliveira Bispo, acusado de receber propina, mas rejeitou pedidos de prisão do elemento.

A quadrilha denunciada no processo que investiga as influências e vendas de votos no judiciário mineiro pode agora, acabar com novo desfecho nas eleições da Raposa, que após enfrentar um escândalo financeiro e ser rebaixado para a série B do campeonato brasileiro, é alvo de disputas internas entre cartolas, que agora, acabam por revelar a podridão nos subterrâneos da justiça mineira.

Veja as tabelas de ligações entre os advogados investigados no processo:

Irmãos Rodrigues no Centro do Esquema

Irmãos Rodrigues no centro do esquema

Investigação sobre irmãos que considera o grupo “atuante”
Guilherme, irmão de Sérgio no quadro do processo
Processos em comum Guilherme e Marialva
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