Brasiliense vai de moto até o Alasca

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Uma moto, muitas ideias na cabeça, telas e pincel. Essa é a bagagem que o artista plástico brasiliense Manu Militão reuniu para percorrer, sozinho, as estradas de 14 países.

Manu Militão, de 53 anos, vai percorrer 42 mil km de moto de Brasília até o Alasca — Foto: Arquivo pessoal

Aos 53 anos, ele decidiu ir de moto de Brasília até o Alasca (EUA) em uma viagem que deve durar cerca de 100 dias. A partida está próxima e deve ocorrer no próximo dia 21 de maio.

No meio do caminho, a cada 2 mil quilômetros percorridos, Militão planeja parar para pintar quadros realistas de quem ele encontrar pelo caminho. Ao todo, 15 telas devem resultar dessa experiência.

Brasiliense de moto em estrada com quadro de pintura: ele vai até o Alasca para pintar pessoas pelo mundo — Foto: Carlos Bueno/TV Globo

Brasiliense de moto em estrada com quadro de pintura: ele vai até o Alasca para pintar pessoas pelo mundo — Foto: Carlos Bueno/TV Globo

“Como artista temos não só a vocação, mas a lição diferenciada de tirar as pessoas do lugar comum”, conta. “Com base nisso, comecei a pensar no que poderia fazer de diferente para me realizar como artista e provocar isso nos outros”.

“A ideia é perceber que pessoas que vivem às margens nem sempre foram marginalizadas.Às vezes escolheram viver ali. Quero descobrir o porquê.”

Por 42 mil km

Ao todo, serão 42 mil km de estrada, passando pela américas do Sul, Central e do Norte até chegar ao destino – um vilarejo do polo norte que pertence aos EUA (veja mapa do percurso).

“Com essa viagem extrema, saindo de Brasília até o Alasca, quero mostrar que a diversidade é o que tem de mais lindo nesse planeta.”
Brasiliense planeja parar para pintar quadros realistas de quem ele encontrar pelo caminho — Foto: Carlos Bueno/TV Globo

Brasiliense planeja parar para pintar quadros realistas de quem ele encontrar pelo caminho — Foto: Carlos Bueno/TV Globo

Para conseguir executar a missão, Militão vai transformar a moto em uma espécie de cavalete – suporte para pintar as telas em branco. Com o desenho pronto, o artista vai precisar esperar de duas a três horas até o acrílico secar e, só então, seguir viagem.

“A estética dos quadros vai beirar uma selfie. Quero que as pessoas mostrem para mim como se veem no ambiente onde estão.”

Depois da viagem, as obras feitas durante a aventura pelo mundo vão ser expostas em cidades dos EUA, Itália, França e, em setembro, em Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo e Natal.

Militão pinta a palavra Border em quadro no meio da estrada, nome do projeto da viagem — Foto: Carlos Bueno/TV Globo

Militão pinta a palavra Border em quadro no meio da estrada, nome do projeto da viagem — Foto: Carlos Bueno/TV Globo

Militão conta que o projeto “Border” – que significa “fronteira”, na tradução para o português – surgiu depois que ele convidou uma jovem com síndrome de Down para ser sua “musa inspiradora” em uma pintura em Brasília.

“Mexeu comigo. Ela é atriz, modelo e tem Down. A partir daí quis começar a fazer algo que provocasse as pessoas e as tirasse do lugar comum”, explica.

Parque Nacional Denali, no Alasca — Foto: 12019/Creative Commons

Parque Nacional Denali, no Alasca — Foto: 12019/Creative Commons

Durante os 100 dias de viagem, o artista vai precisar lidar com a solidão no caminho. Ao G1, ele que pilota desde os 18 anos, disse que vai aproveitar o tempo para reflexão.

“Aos 53 anos, estou começando minha vida, iniciando um legado”.

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