Brasileiros ganham prêmio por inovação tecnológica no combate às mudanças climaticas Restauração de florestas motivou criação do Nucleário em 2017, mas ainda faltam incentivos para produção

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Cerca de 30% das mudas de árvores morrem nos primeiros três anos após seu plantio. Mantê-las saudáveis, irrigadas e protegidas do ataque de insetos e outros inimigos naturais requer manutenção constante, trabalho manual e consequentemente, alto investimento. Mais ainda, em áreas remotas de florestas tropicais, quando isso se torna difícil e desafiador.

Para tornar mais eficiente e fácil o reflorestamento em larga escala, três brasileiros criaram um dispositivo que tenta solucionar todos os problemas acima.

Chamado de Nucleário, ele foi desenvolvido pelos irmãos Bruno e Pedro Pagnoncelli e Bruno Ferrari, do Rio de Janeiro, que  receberam um prêmio de US$ 100 mil no Biomimicry Global Design Challenge, promovido pela Fundação Ray C. Anderson, dos Estados Unidos em 2018. A competição tinha como objetivo promover inovações no combate às mudanças climáticas, mas até hoje ainda não é produzido em larga escala.

Os empreendedores projetaram o Nucleário de tal maneira que não fosse necessária mão de obra e monitoramento após o plantio de mudas em locais de reflorestamento.

O dispositivo, inspirado no design das bromélias, funciona da seguinte maneira: a muda é plantada no centro da “roda”. Durante os períodos de estiagem, por causa de seu formato, o Nucleário retem a água da chuva e promove a liberação dela via capilaridade, garantindo assim a irrigação frequente. Além disso, ele possui uma uma superfície negativa, que forma uma barreira física contra as formigas cortadeiras.

Como é fabricado com material 100% biodegradável, a partir do terceiro ano, ele começa a se decompor no solo.

Os primeiros testes com o Nucleário foram feitos na Mata Atlântica. De acordo com os idealizadores do Nucleário, a região tem um potencial de reflorestamento de 17 milhões de hectares. Todavia, são áreas degradadas, de plantio complexo, pois em geral, apresentam baixo nível de resiliência, difícil acesso, relevo montanhoso e alto índice de insolação.

“A natureza precisa da ajuda do homem para conectar esses fragmentos e criar corredores florestais”, disse Bruno,. “Precisamos fazer isso o quanto antes”. 

Testes de campo realizados com o Nucleário

Este é apenas um dos muitos prêmios de design e sustentabilidade que o dispositivo criado pelos empreendedores do Rio já ganhou. Dentre outros, ele já recebeu o BraunPrize (Alemanha), RedDot (Singapura), International Design Excellence e o Biomimicry Global Design Challenge (Estados Unidos). Entre os reconhecimentos nacionais, levou o IdeaBrasil e foi um dos finalistas do Desafio Ambiental, realizado pelo WWF-Brasil.

Bruno Ferrari, ao centro, com os sócios e irmãos Pagnoncelli

Este ano, inclusive, o produto foi testado no Cerrado, com produtores e trabalhadores rurais da bacia do Guariroba, aos arredores de Campo Grande – MS. Com informações do Conexão Planeta.

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