BOLSONARO DIZ QUE ACABOU COM A LAVA JATO Eleito presidente, convenceu o juiz Sérgio Moro a deixar Operação para ser ministro e finaliza confessando suas intenções

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O presidente Jair Bolsonaro disse com todas as letras nesta quarta-feira (7), durante pronunciamento no Palácio do Planalto, que acabou com a operação Lava Jato porque “não há corrupção no governo”.

Com filhos investigados por peculato e lavagem de dinheiro, além de suspeitas que recaem sobre a contratação de funcionários fantasmas em seu próprio gabinete, quando era deputado, o presidente deu a declaração em cerimônia sobre medidas para a aviação civil.

“Eu desconheço um lobby para criar dificuldade para vender facilidade. Não existe. É um orgulho, é uma satisfação que eu tenho, dizer a essa imprensa maravilhosa que eu não quero acabar com a Lava Jato. Eu acabei com a Lava Jato, porque não tem mais corrupção no governo. Eu sei que isso não é virtude, é obrigação”, afirmou.

Durante a campanha que o elegeu à presidência, Jair Bolsonaro fez diversos elogios públicos à Lava Jato, afirmando que fortaleceria o combate a corrupção e obteve votos de grupos que iam para as ruas defender as investigações, principalmente dos desvios de dinheiro na Petrobras e tenta agora fazer entender que a Lava Jato não tem mais o que investigar.

Uma das estratégias de Bolsonaro para acabar com a Lava Jato foi convencer o então juiz Sergio Moro, que atuava em Curitiba nos processos da operação e foi o primeiro a condenar um ex-presidente por corrupção, a aceitar ser ministro da Justiça e Segurança Pública.

Em abril deste ano, Moro pediu demissão do cargo e disse que Bolsonaro tinha tentado interferir politicamente na autonomia da Polícia Federal, corporação responsável por operações como a Lava Jato. Moro saiu ao compreender que Bolsonaro atuava contra as pautas de combate ao crime do colarinho branco.

Essa suposta interferência de Bolsonaro incluía a substituição do diretor-geral da PF, cargo máximo da corporação, o que foi feito por Bolsonaro para acabar com as investigações da Lava jato.

Apesar de se vangloriar de ter acabado com a Lava Jato, a Operação, prendeu e apreendeu valores nesta quarta-feira na 76° fase da operação.

As forças-tarefa da operação Lava Jato são de responsabilidade do Ministério Público Federal (MPF), um órgão independente que não é subordinado ao governo federal. O atual chefe do MP é o procurador-geral da República, Augusto Aras, indicado por Bolsonaro em 2019, que tenta barrar as operações, mas não consegue segurar todas.

Nesta quarta, a Polícia Federal deflagrou uma nova fase da Lava Jato – a 76ª que investga corrupção na Petrobras entre os anos de 2009 e 2018.

Na terça-feira, o senador Renan Calheiros, réu na Lava-Jato acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro aplaudiu Jair Bolsonaro pelo desmonte da Lava Jato, em entrevista ao jornalista William Waack.

“Ele já encadeou várias medidas, desde o Coaf, a questão da Receita, a nomeação do Aras, a ‘demissão’ do Moro, agora a nomeação do Kassio. É o grande legado que ele pode deixar para o Brasil: o desmonte desse sistema.”

Em agosto, o filho de Bolsonaro desde Flávio Bolsonaro fez críticas à Lava Jato e defendeu Augusto Aras

Em agosto, o filho de Jair Bolsonaro e senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) fez críticas à operação Lava Jato em entrevista ao jornal “O Globo”.

O parlamentar defendeu a atuação de Augusto Aras, que também teceu críticas à Lava Jato e falou em uma necessidade de “corrigir rumos”.

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