Boeing da Gol arremete e evita colisão com jato da Azul Manobra registrada em vídeo assustou leigos e funcionários do terminal de Fernando de Noronha

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O vídeo mostra um E195 da Azul taxiando pista de Fernando de Noronha, em direção ao terminal. No sentido contrário vem um Boeing 737-800 da Gol em fase final de aproximação. Na gravação, o funcionário do aeroporto chega a pronunciar um palavrão para expressar o desespero.

Logo em seguida outro funcionário do aeroporto exclama aliviado pelo rádio:

“Arremeteu, arremeteu!”

A imagem do Boeing arremetendo pouco antes de tocar na pista onde o Azul que operava o voo 2700 taxiava, viralizou.

Na aviação a manobra de arremetida é considerada banal e – fora algum susto para um ou outro passageiro – não oferece nenhum risco a segurança de voo. A pergunta para o caso de Noronha é: por que as duas aeronaves estiveram relativamente próximas já que ambas estariam em contato visual?

Investigadores de acidentes aéreos e especialistas em aviação civil ouvidos pela BSB Magazine foram cautelosos e sugeriram que não houve perigo. Os profissionais alegaram não fazer parte de uma investigação oficial e pediram para não se identificar. Mas destacaram que as ações foram coordenadas, o que não demonstrava falhas nem riscos aos passageiros. Apenas concordaram que, visualmente, a situação pode parecer perturbadora para leigos.

Não há torre de controle na ilha. Ao pousarem, as aeronaves precisam retornar à pista taxiando para alcançar a única saída para o pátio. A responsabilidade pelo tráfego no local é do Serviço de Informação de Voo de Aeródromo (AFIS), no Recife. O Azul foi obrigado a retornar e ficar de frente para o Boeing que se aproximava. O sistema anti-colisão do Boeing 737-800, conhecido como TCAS (sigla para Traffic Collision Avoidance System), não funciona abaixa de 2.500 pés, quando o jato está configurado para pouso. O tempo bom com vento calmo permitiu operações visuais e evitou qualquer situação de perigo.

Em nota, a Azul Linhas aéreas ressaltou que “a arremetida é um procedimento previsto nas operações de pouso”.

A FAB também tentou minimizar:

“A arremetida registrada no aeródromo de Fernando de Noronha (PE), no domingo (17/02), ocorreu dentro dos padrões de segurança das regras de tráfego aéreo. A situação foi classificada como normal.”

A Gol informou que o voo G3 1862, que fazia o trecho Recife – Fernando de Noronha precisou “descontinuar” a a proximação em virtude da indisponibilidade da pista por ocupação de outra aeronave. E que o pouso ocorreu às 16h39 de domingo em total segurança.

A “arremetida realmente é uma manobra simples e não ofercece perigo. Nenhuma delas, todavia, esclareceu que ações seriam tomadas em caso de pouca ou nenhuma visibilidade, como nevoeiro ou chuva forte.

A BSB Magazine mostrou o vídeo para um comandante de jato comercial de uma grande companhia brasileira. O piloto tambem preferiu não se identificar. Ao resssaltar que não teria como apontar o responsável pelo incidente em Noronha, admitiu:

“O vídeo sugere sim algo de errado, mas só com a disposição de todos os dados técnicos da situação para poder opinar com segurança”

O Brasil é um dos países mais eficientes em termos de segurança de voo. A consultoria alemã Jacdec (sigla para Jet Airliner Crash Data Evaluation Center) aponta o país como alto nível de transparência em relação a segurança de aviação.

As operações de tráfego de aviões muitas vezes são mais delicadas em solo do que no ar. O maior acidente da aviação comercial aconteceu na pista do aeroporto de Tenerife, na Espanha e vitimou 583 pessoas em março de 1977. Uma combinação que envolveu erro humano, mau tempo, estresse, terrorismo, e fraseologia ineficiente fez um Boeing 747 da KLM – que se preparava para decolar – atingir em cheio outro jumbo da Pan-Am, que ainda não havia saído completamente da pista.

A explosão de uma bomba no aeroporto de Gran Canaria desviou todo o tráfego para Tenerife, que não tinha a estrutura necessárisa para receber tanto tráfego. Com o longo atraso na partida, o comandante do KLM, Jacob Van Zant, resolveu cancelar uma escala prevista para reabastecimento e colocou mais combustível no 747.

Van Zant temia represálias da companhia holandesa, que pressionava para que seus pilotos evitassem atrasos e, consequentemente, prejuízos. Uma falha na comunicação dos controladores deu entendimento dúbio aos tripulantes do KLM, que aguardavam o Pan-Am liberar a pista. Sob tensão, o holandês acelerou os 4 motores rumo à decolagem. Foi alertado por seu engenheiro de bordo quanto a possível presença do Pan-Am ainda na pista. O comandante ignorou o colega.

O Jumbo passou da velocidade de decisão – conhecida como V1 – e chegou a retirar o trem de pouso do chão quando avistou o jato americano ainda na pista. Van Zant pôs mais potência no manche para subir mais rápido. Ironicamente, o combustível extra que o comandante colocara tornou o avião mais pesado, impedido-o de se livrar da colisão.

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