Battisti queria refugio e impunidade na Venezuela. Investigadores suspeitam de vazamento de informações e financiamento de grupos criminosos Saiba muito mais sobre os últimos passos do criminoso e como avião que caiu na mata pode ter tirado Battisti de São Paulo

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Battisti depõe na Bolívia antes de ser enviado para Itália

Cesare Battisti, que foi expulso da Bolívia e do Brasil, preparava fuga em avião particular para a Venezuela, dizem investigadores. Um avião de pequeno porte que caiu na mata pode ter tirado Battisti de São Paulo. A suspeita é de que ele teve de andar pela selva e depois atravessou um rio dando continuidade a fuga em outro modo de transporte até sair do Brasil.

Nabor Bulhões, foi o advogado que defendeu o governo da Itália no caso da extradição e negociou a prisão e o envio direto de Battisti da Bolívia para a Itália. Um dos integrantes da banca de Bulhões conversou com o Bsbmagazine sobre os últimos passos do criminoso no Brasil e como se deu a prisão em solo boliviano.

Ricardo Vasconcellos é integrante da Banca de Nabor Bulhões e atuou com o mesmo, na extradição de Cesare Battisti de 2007 a 2019. Nabor Bulhões, um dos mais. Renomados advogados do país foi o responsável pelas negociações Itália Brasil Bolívia para entrega de Battisti sem ferir os tratados entre Brasil e Itália e Bolívia e sem que o criminoso fosse preciso adentrar solo brasileiro

Para Ricardo Vasconcellos,  as mudanças na coordenação das investigações promovidas por Sérgio Moro foram definitivas para a prisão. Ele afirma que as investigações brasileiras e as negociações rápidas entre o governo Bolsonaro, o da Itália e da Bolivia evitaram mais atrasos na devolução do criminoso para a Itália, diferente do que divulgou a grande mídia, que chegou a criticar a atuação da policia brasileira. “É um erro da imprensa pensar que esse rápido desfecho não teve participação do Brasil”, explicou.

“A troca de informações entre as investigações brasileiras e bolivianas resultaram no êxito da operação” afirma Ricardo.

Para o advogado brasileiro, a intenção era pedir refúgio ou asilo político na Venezuela e se manter impune. Ricardo Vasconcelos, que é professor dos cursos de pós-graduação de direito penal e processo penal CEJUR – Unyleya, acredita na participação de grupos criminosos no financiamento de Battisti, durante sua estadia no Brasil e na fuga empreendida para a Bolívia. “Pode sim haver estreita ligação com o crime organizado. Quem financiava os gastos do criminoso?” questiona o advogado.

Segundo o jornal italiano, Corriere della Sera, Battisti estava preparando uma fuga para a Venezuela, a bordo de um avião particular. Sob os olhares de investigadores está inclusive o caso de um piloto de um avião de pequeno porte que realizou um pouso forçado em Barreirinha, a 331 quilômetros de Manaus, e abandonou a aeronave em uma área verde do município no dia 25 de dezembro.

De acordo com informações repassadas à Polícia Civil pelo delegado Ivo Cunha, titular da 42ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP), o avião foi encontrado por moradores no mesmo dia do pouso. Após serem acionados, policiais civis se deslocaram ao local para averiguar a situação, entretanto ninguém foi encontrado.

Avião abandonado em Barreira, no Amazonas, pode ter sido utilizado na fuga de Battisti

Conforme o delegado, o piloto foi identificado na quinta (27) após ele mesmo se apresentar nadelegacia. O piloto informou que viajava para uma comunidade indígena quando o avião sofreu uma pane e ele foi forçado a fazer um pouso de emergência. Investigadores não descartam também a participação de ONGs mantidas para a proteção de indígenas na ação de fuga de Battisti.

Os investigadores suspeitam de financiamento do crime organizado e querem mais informações sobre movimentações suspeitas em relação ao caso. A cronologia das ações de Battisti, também levanta suspeita de vazamento de informações de dentro do STF. Um saque na agência do Banco do Brasil, em Cananeia, litoral sul paulista, onde morava Battisti, está sob investigação.

Houve um saque considerado atípico de mais de R$20 mil reais na cidade, no dia 10 de dezembro, dois dias antes da decisão do ministro do STF, Luiz Fux, que mandou prender Battisti no dia 12. No dia 14, dois dias depois Temer mandou executar a decisão, mas Battisti já havia sumido.

Estas e muito mais informações sobre o caso Battisti vão fazer parte de um livro que deve ser lançado em breve, pelos jornalistas Leonardo Mota Neto e Marcos Roberto Silva, intitulado “Battisti, o Protegido do Brasil”.

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