Aras abre crise ao declarar querer fim da Lava-Jato publicamente como PGR Sub procurador diz que Bolsonaro escolheu Aras para combater Lava Jato

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Depois que o procurador-geral da República, Augusto Aras, nesta terça-feira (28), disse que é hora de “corrigir rumos” para que o “lavajatismo” acabe, integrantes do Ministério Público Federal (MPF) afirmaram na manhã desta quarta-feira (29) que a instituição enfrenta sua mais grave crise desde que a estrutura atual do órgão foi estabelecida pela Constituição de 1988.

No Senado, as reações começaram com o O senador Alessandro Vieira que postou no Twitter que o PGR usa o “garantido de araque” como fachada para beneficiar “os bandidos que roubam o país desde sempre”.

“Vamos denunciar a atuação cínica do PGR como porta-voz dos ataques à Lavajato, tentando esconder sob o manto de um garantismo de araque os reais interesses de quem sempre quis “estancar a sangria” e “zerar o jogo”, beneficiando os bandidos que roubam este país desde sempre.

As declarações dos subprocuradores da República são feitas sob sigilo de fonte para evitar retaliações do PGR, mas ao blog do jornalista Gérson Camarote, no G1, disseram que
“Há uma crise de desconfiança generalizada. A cúpula da PGR tenta controlar o órgão. Mas falta liderança na instituição. Ninguém aqui defende eventuais excessos. Mas isso não pode justificar um movimento para paralisar investigações e enfraquecer o combate à corrupção”, ressaltou um experiente subprocurador ouvido pelo blog.

Aras deu a declaração ao participar de um debate virtual, promovido por um grupo de advogados ligados ao PT. Segundo ele, o fim das operações como a Lava-Jato visa acabar com o “punitivismo” do Ministério Público e que não pode existir “caixa-preta” no MP.

Outro subprocurador, cargo atingindo no topo da carreira do MPF, ressalta que a falta de liderança na PGR foi evidenciada com a iniciativa de Aras de recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para ter acesso a dados de investigações das as forças-tarefa da Lava Jato. Ele obteve decisão a favor do compartilhamento de dados proferida pelo presidente do STF, ministro Dias Toffoli.

Para esse subprocurador, desde que Aras se colocou como um nome fora da lista tríplice para assumir o cargo de PGR, ele já fazia críticas à Lava Jato.

O presidente Jair Bolsonaro escolheu Aras fora da lista que é uma tradição na instituição, mas não é obrigatória por lei. “Ao optar pelo perfil de Aras, o presidente sinalizou o que desejava para a Lava Jato e para a própria PGR”, resumiu esse subprocurador.

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