Abertura da casa Mangiare reúne chefs em jantar Magno

0

No dia 14 de fevereiro, quinta feira, no restaurante Nikkei cornetas e violinos invisíveis estarão orquestrados para a abertura da cozinha para receber os pesos pesados da alta gastronomia de Brasília: Luiz Trigo, Tonico Lichtsztejn, Claude Capdeville, Leandro Nunes e Lui Veronese, para realizar o primeiro jantar da Casa Mangiare, um projeto criado a partir de pedido dos chefs locais.
O universo do cozinheiro é em muitas vezes isolado, cada um fica em seu restaurante cuidando da logística de funcionamento da casa, criando novos pratos, recebendo fornecedores, sommeliers, e o mais importante o público.

Claude Capdeville e seu tradicional joelho de porco servido na Toca do Chopp

Num bate papo com chefs locais por volta de um ano atrás alguns deles me pediram para criar um grupo no WhatsApp já que eu tenho contato diário com chefs nacionais e internacionais e assim surgiu o “Encontro dos Chefs” com o intuito de aproximá-los. Lá tem uma constelação de chefs de Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Peru, Itália, Espanha, entre outros locais.

Entre reuniões com a diretoria da revista criamos a Casa Mangiare que será uma série de jantares unindo chefs e suas especialidades. Em temas variados e sob curadoria do chef Lui Veronese, serão seis a oito jantares durante o ano e em restaurantes de Brasília e no exterior.

Lui Veronese, curador dos jantares da Casa Mangiare. Foto: Lucas Marasta

Durante a ida da equipe da revista Mangiare a Portugal para entrevista aos chefs estrelados José Avilez, Henrique Sá e Vítor Sobral, faremos um jantar no restaurante de Sobral e o Lui convidará o chef para utilizar os frutos do cerrado na cozinha portuguesa. O desafio foi aceito.

A proposta é a união dos chefs locais, a intercessão em suas raízes e nacionalidades. Não existe competitividade entre os chefs, existe harmonia e alegria. Os cozinheiros inteligentes e seguros que não se prendem a risoto de gorgonzola com filé em seus restaurantes.

Durante a construção da Casa Mangiare, buscamos parceiros como a AgriForte que apoia com água Sferriè, café Orfeu e o recém lançado Açaí Motion, um energético a base de açaí. A Colombina harmoniza os pratos com suas cervejas artesanais e a Trilix abriu sua carta de vinhos e espumantes para os gourmants terem boas opções.

O jantar inicia as 20 horas em ponto e o querido Luiz Trigo inicia a noite gastronômica com o trio de terrines, em seguida Claude com um montadito, Leandro Nunes com um guiosa de rabada ao molho de tucupi, no prato principal Tonico vai apresentar uma concepção inédita do trio de costelas, seu ponto forte na gastronomia, mas esse prato será a primeira apresentação.
Lui finaliza com uma sobremesa que irá remeter a uma idéia de um churrasquinho, criatividade é o que não lhe falta.

Tonico Lichtsztejn fará o trio de costelas. Sua especialidade.

O jantar em todas as suas concepções é para um pequeno grupo de 100 pessoas, e os convites a 180 reais, já estão acabando.
Oswaldo Scafuto, quem abre as portas do Nikkei para iniciarmos a Casa Mangiare, sempre apoia projetos em prol da gastronomia. Para ele, o fortalecimento da alta gastronomia na cidade é de grande importância. “Eu acredito na gastronomia de Brasília, aqui tem chefs de muita importância e são pessoas muito preparadas” define.

Leandro Nunes trabalhou no estrelado restaurante Noma na Dinamarca.

Quando defendemos a ideia de Brasília Capital da Gastronomia, um conceito criado pelo respeitado cientista político Antônio Lavareda e grande apoiador dos projetos da Mangiare, é porque acreditamos no potencial que os restaurantes da cidade tem. Dificilmente Brasília será superior a São Paulo. Mas ela pode sim entrar para a rota gastronômica do país com destaque.

É fundamental que o novo governo se conscientize da importância desse setor que não conta com muito apoio. A exemplo de Goiânia, por que não termos uma secretaria para gastronomia e hotelaria da cidade? Fica a dica para a Secretária de Turismo Vanessa Cardoso.

O governo do Distrito Federal, poderia além de atender às solicitações de reuniões, se inspirar em modelos bem sucedidos e resolver apoiar os setores que caminham sozinhos sem nenhum apoio do governo e seus novos governantes.

O governo espanhol e bancos como o BBVA apoiam e patrocinam chefs, festivais, seminários e eventos gastronômicos. Aqui se pedirmos uma passagem para um chef ir cozinhar no exterior a primeira resposta é “não temos recursos”. Lamentável. Eu fico brava e logo resolvo a compra da passagem, hotel e apoio, porque acredito no talento do Lui, Leandro, Gil, Tonico, entre outros.

Será que um dia iremos crescer para fora e os governantes vão deixar de fazer políticas próprias?
Fica a reflexão.

Enquanto isso, na quinta-feira vamos para o Nikkei esquecer dos problemas, se deliciar com o trabalhos dos chefs, tomar um bom vinho e uma boa cerveja e conhecer o conceito da Casa Mangiare.

Comentários