A CLDF quer organizar grupo de trabalho para enfrentar adoecimento do servidor do GDF

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A deputada Júlia Lucy (NOVO-DF) está montando um grupo de trabalho para identificar os problemas e apontar soluções para melhorar a qualidade de vida no trabalho dos servidores do Governo do Distrito Federal. A ideia surgiu durante a audiência pública que debateu como anda a saúde mental de quem atende à população, especialmente nos setores considerados mais desgastantes: a assistência social, a saúde , a educação e a segurança pública.
Durante os debates, realizados na última sexta-feira (9), no plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal, servidores e especialistas falaram de dificuldades cotidianas, pressões, problemas estruturais e da violência enfrentada no dia-a-dia de quem lida com a população num ambiente bastante insalubre e que tem levado ao adoecimento dos trabalhadores.
“Sou usuária do serviço público e, dessa forma, percebi que se alguma coisa não funciona, não é por culpa ou responsabilidade do servidor. Há carências básicas de estrutura e o servidor acaba penalizado pela população. Isso provoca adoecimento e provoca prejuízos ao ser humano , ao próprio serviço público e ao Estado”, resumiu a deputada Júlia. Ela mostrou dados que dão conta de que, em 2018, dos cerca de 84 mil servidores ativos do GDF, mais de oito mil se afastaram por motivos de saúde mental. “A questão que se apresenta é por que os nossos servidores estão tão doentes”, disse.
Professor do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB), Mário Cesar Ferreira, enfatizou que cuidar da saúde dos servidores significa também cuidar da população que utiliza os serviços públicos. Lembrando que o contexto organizacional do serviço público é, por si só, adoecedor, ele explicou que a forma de enfrentar o problema é investir na qualidade de vida no trabalho.
Prevenção
Qualidade de vida e investimento em ações de prevenção ao adoecimento foram as saídas apontadas pelos especialistas que participaram do debate. A Subsecretária de Segurança e Saúde no Trabalho da Secretaria de Fazenda, Planejamento , Orçamento e Gestão, Ana Paula Delgado, disse que já existem programas dentro do serviço público do Distrito Federal voltadas à prevenção das chamadas doenças ocupacionais. A meta, segundo ela, é chegar a 50% de todos órgãos da estrutura do DF até 2023.
Na Secretaria de Educação, já foi identificado que os momentos mais críticos para o servidor – em sua grande maioria, mulheres – são a aposentadoria e o momento pós-maternidade, relatou a subsecretária de gestão de pessoas, Kelly Cristina Bueno. Ela comemora, porém a queda nos índices de afastamento de professores. Comparando resultados dos primeiros semestres de 2017 ,2018 e 2019 foram respectivamente de 1915, 1243 e 712 licenças para tratamento de saúde.
Na plateia, servidores relataram suas experiências e expuseram a realidade do cotidiano que vão desde sobrecarga de trabalho a falta de equipamentos básicos de trabalho.
“O grupo de trabalho será a melhor forma de entendermos a fundo as raízes do problema. Precisamos trazer isso tudo à luz para podermos tentar resolver”, defendeu Júlia Lucy.

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