A Batalha (quase) Silenciosa entre Latam e South African Airways Aéreas disputam melhor rota nos voos regulares entre Guarulhos e Joanesburgo

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Os pontos de partida e chegada são os mesmos, mas a trajetória que Latam e South African Airways percorrem entre as duas maiores cidades do Brasil e da África do Sul são bem diferentes. Quem já voou por ambas as companhias entre os 2 países percebe que a SAA faz o percurso em cerca de 8 horas e 20 minutos, cerca de 1 hora e meia a menos que a concorrente. A explicação está no ponto de pouso alternativo – obrigatório por convenção internacional – usado pelos sul-africanos: a pequena Ilha de Ascensão, no meio do Atlântico. Essa opção geográfica permite à SAA uma rota praticamente em linha reta. O mapa do blog “aviões & músicas” reproduzido aqui, ilustra a vantagem da South African, que economiza tempo e gasta menos combustível, principal insumo da aviação.

Na briga por uma rota economicamente mais viável, e que vale uma boa quantidade de dinheiro, as duas empresas fazem movimentos nos bastidores. A julgar pelo levantamento que fizemos nesses canais políticos e diplomáticos, a briga está longe do fim. O lobby – tanto de um lado quanto do outro – segue a pleno vapor nos canais competentes, como embaixadas, órgãos reguladores e agências nacionais.

Para diminuir os efeitos e compensar o trecho mais longo, a Latam apela para a estratégia tarifária e acena com passagens a preços mais convidativos, uma forma de atrair mais passageiros. A South African Airways procura responder com promoções eventuais. Numa simulação que fizemos nos sites das duas companhias para uma mesma data aleatória, o valor do trecho entre Guarulhos e Joanesburgo saía por R$ 1. 775,00 em uma delas. A diferença para a concorrente não chegava a 30 reais.

Tanto uma quanto outra empresa registram alta taxa de ocupação em suas poltronas. O turismo é uma das principais atividade econômicas da África do Sul. Por ano, o país recebe quase 50% mais turistas estrangeiros em relação ao Brasil. O aeroporto O. R. Tambo, (Oliver Reginald Tambo foi um dos maiores combatentes do Apartheid ao lado de Nelson Mandela) é o maior centro de distribuição de voos de Joanesburgo para o restante do continente africano, além de Ásia e Austrália. É a grande fatia de passageiros que deixam o Brasil e a América do Sul na exploração desse ˜HUB” que acirra a disputa entre Latam e South African Airways na rota São Paulo – Joanesburgo.

A composição das rotas transoceânicas depende da certificação de fábrica concedida por órgãos reguladores. O Boeing 767-300 da Latam que voa para Joanesburgo tem certificação de 180 minutos (3 horas). Isto significa que o jato não pode se afastar mais que 3 horas de um ponto de pouso alternativo. Sem a Ilha de Ascensão como Plano B, a companhia é obrigada a voar com a proa mais a nordeste e depois manobrar a sudeste.

Além da pista alternativa, outra vantagem da South African Airways está no modelo usado nessa rota, o A330, cuja certificação ETOP chega a 240 minutos, ou 4 horas de distância de uma pista. ETOP é a sigla em inglês para Extended-Range Operations (Operações de Longa Distância para jatos de 2 motores). Aeronaves com essa certificação passam por procedimentos especiais de manutenção. E o mesmo ocorre com o treinamento de sua tripulação. Eventualmente, a companhia sul-africana opera a rota com o A340, um jato de 4 motores, o que traz ainda mais autonomia de voo. Modelos mais novos encontrados no mercado, como o A350-XWB, da Airbus, e o 787-Dreamliner, da Boeing, chegam a sair de fábrica com certificação para mais de 5 horas de autonomia de voo.

A vantagem operacional da SAA se deve em grande parte ao fim da Varig, que até o início dos anos 80 operava para a África do Sul, incluindo um voo direto entre o Galeão e a Cidade do Cabo. A concorrência direta só veio a partir de 2 de outubro de 2016, com a chegada da Latam. Outra opção, ainda mais demorada para se chegar a Joanesburgo, está no voo da TAG, a companhia angolana, com uma longa escala em Luanda.

Procurada, a LATAM Airlines Brasil informou apenas que o trajeto atende às exigências de certificação da sua aeronave utilizada nesta rota, que garante o uso de pontos de apoio para eventuais emergências e contingências durante sua operação. A South African Airways preferiu não comentar.

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